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“Caiçara”, o por quê do nome

A palavra “Caiçara” é de origem no termo tupi-guarani Caá-içara (caá=mato ou galhos e içara=armadilha), como eram chamadas as estacas colocadas em torno das aldeias, como também um curral feito de galhos fincados na água para cercar o peixe. Também são chamados de “Caiçaras” os moradores do litoral, principalmente das regiões sul e sudeste, que têm em sua cultura a pesca artesanal, a agricultura, a caça, o artesanato e o extrativismo vegetal.

No que se refere às origens da denominação da cidade paraibana, tem essa ligação a cerca indígena, uma versão também dá conta de que pode, neste caso específico, ter sido uma forma de trincheira que os índios fizeram na região no tempo das Guerras da Cupaóba.

Por outro lado, “Caiçaras” é também como ficaram sendo chamadas certos tipos de moradias feitas de forma rústica em beiras de rio e ainda um tipo de cercado de madeira à margem de um rio para embarque de gado. Provavelmente, foi esse significado que fez com que os tropeiros passassem a chamar os currais construídos por Manoel Soares, a partir de 1822, de “Caiçaras” e o nome acabou passando para o vilarejo que ia surgindo. Eles se referiam às “Caiçaras de Manoel Soares”.

É bom ressaltar que a cidade sempre teve esse nome, embora tenha tido uma sugestão, provavelmente do Padre Ibiapina, por volta de 1870, para que o nome mudasse para Marianópolis, mas a população não aceitou. O padre tinha realmente o hábito de sugerir nomes: para Gengibre sugeriu Belém; para Serra da Raiz, Jerusalém; e para Anta Esfolada, Nova Cruz. Houve também uma época que se sugeriu a mudança do nome de Logradouro para Humaitá.

Destaquemos o antigo nome de Nova Cruz, Anta Esfolada, cuja denominação tem sua origem em uma lenda. O povoado de início se chamava Urtigal, em certa época pessoas do lugarejo começaram a contar que viram um animal estranho bebendo água em uma lagoa das redondezas. Posteriormente, passou-se a dizer que se tratava de uma anta. Pegar o bicho virou questão de honra para os caçadores, até que um deles construiu uma armadinha e conseguiu pegar o animal. Sua primeira atitude foi começar tirar o couro dela. Quando começou a cortar a anta ela deu berro e um pulo, quebrando a armadilha e saindo em disparada, sem o couro, que ficou nas mãos do caçador. Ele então retornou ao povoado e contou que tinha acabado com o bicho, o couro era a prova. Pouco tempo depois, voltaram a surgir boatos de pessoas que continuaram a ver a anta, agora sem o couro, ou seja, esfolada. O povoado ganhou fama de mal-assombrado, era a região da Anta Esfolada. Por fim, um padre veio para o local, fez orações para expulsar o demônio da anta e construiu uma grande cruz de ramos para abençoar o local, que passou então a se chamar Nova Cruz. O lugarejo mais próximo à lagoa onde a anta aparecia virou cidade de Lagoa d’Anta.

* Texto: Jocelino Tomaz de Lima

* Fontes: Livros “Caiçara, caminhos de almocreves (Severino Ismael da Costa) e “Nova Cruz, retrato de uma história” (Pedro Marinho da Silva); site fundart.com.br.

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