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Antônio Miranda, o primeiro prefeito de Caiçara

O Coronel Antonio Florentino da Costa Miranda “Tota Miranda”, é filho de João de Andrade Miranda e Sá e de Joana Flora da Costa Miranda, de tradicional família de senhores de engenho da Serra da Raiz, casou-se com Enedina Soares de Miranda, neta de Manoel Soares da Costa, fundador de Caiçara. Instalou-se em Caiçara como grande pecuarista e comprador de algodão. Enquanto ele se dedicava à criação de gado, sua esposa, talvez a primeira mulher empresária da Paraíba, se dedicava ao comércio. Tiveram três filhos: Abdon Miranda, pecuarista e poeta; Dustan Miranda, bacharel em direito, destacou-se no Ministério Público e alcançou cargos de relevo no Estado, como suplente de senador e prefeito de Caiçara, por duas vezes; e Waldemir Miranda, médico de renome, escritor e Presidente da Academia Pernambucana de Letras, além de grande benfeitor caiçarense.

Depois de engajar-se na luta pela emancipação, onde mostrou muita habilidade ao pacificar a situação com a vizinha vila de Serra da Raiz, Tota Miranda dedicou-se de corpo e alma à administração do município, recebendo por isso o reconhecimento da população (ver matéria “A ADMINISTRAÇÃO DO PRIMEIRO PREFEITO”). Enedina, sua esposa, assumiu o comando dos negócios e, como primeira dama, realizou intenso trabalho social com destaque na área de saúde. Em 1915 seu afastamento da administração municipal lhe ocasionou muita tristeza, dado o apego que tinha a sua terra e a sua gente, fato esse agravado pela derrota de Monsenhor Walfredo Leal para governador do Estado, tornando-se assim verdadeira tragédia.

Tota Miranda mudou-se para Guarabira onde recebeu a concessão para explorar o serviço de energia elétrica e foi o principal responsável pela eletrificação da cidade. Ali ampliou seu negócio com o algodão, sendo lembrado como um dos principais comerciantes do produto. Nunca abandonou a política caiçarense, sendo reconhecido sempre como um grande líder. Faleceu em 21 de janeiro de 1935.

Existe uma versão de que os “dois Antônios”, ele e Antonio Soares, se desentenderam e morreram com as relações cortadas. Uma hipótese é que as divergências políticas entre os anos de 1912 e 1915 tenham os feito romper relações, também era evidente, também, a rivalidade no comercio de algodão, ficando o armazém de algodão administrado por Enedina (esposa de Tota Miranda) bem em frente ao armazém de Antonio Soares.

A primeira homenagem a Antonio Miranda em Caiçara foi dar seu nome a antiga rua “Quebra-quilos”;  em 1958 o obelisco alusivo ao cinquentenário de Caiçara, na Rua João Pessoa, lhe faz referência; juntamente com Antonio Soares, em 1975, com uma Praça em Caiçara onde se encontram seus bustos doados por seus filhos Waldemir Miranda e Corálio Soares. Em Guarabira, no bairro do Juá, também existe uma praça que leva seu nome, com o busto do mesmo, que inclusive foi totalmente reformada em 2020.

Fontes: Livros: Valdemir Miranda, um cidadão do Nordeste (Carlos Cavalcante), Guarabira através dos tempos (Cleodon Coelho), O Poeta do Curimataú (Abdon Miranda) e entrevistas.

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