Obter uma conta gratuita @caicarapb.com

Clique para abrir o hotsite das eleições para Conselho Tutelar

[Caiçarense do Mês - Junho] Severino Ismael de Oliveira

SEVERINO ISMAEL DE OLIVEIRA, O POLÍTICO DE MAIOR EXPRESSÃO DA HISTÓRIA DE CAIÇARA

SEVERINO ISMAEL DE OLIVEIRA, O POLÍTICO DE MAIOR EXPRESSÃO DA HISTÓRIA DE CAIÇARA

Nascido em 13 de agosto de 1899, na fazenda Serrinha, foi um dos doze filhos de Pedro Ismael de Oliveira e Ana Carneiro da Costa. Seu primeiro casamento se deu quando ainda tinha 17 anos com Ana Frazão, com ela teve um filho, Walderedo Ismael, que veio a ser um dos maiores psicanalistas do Brasil. Depois se casou com Djanira Queiroz, com a qual teve quatro filhas e, por fim com Emília Costa, que já tinha uma filha de um relacionamento anterior.

Conta-se que Severino Ismael tinha uma banca de jogos na feira, quando, com ajuda de Francisco Carneiro (“Chicó Marinheiro”) e do Major “Nô Lima”, comprou uma padaria.

Entretanto, seu ingresso na política se deu através da facção do ex-prefeito Antonio Miranda, ou seja, em oposição ao bloco dos Espinolas, do qual Nô Lima fazia parte. Um episódio narrado no livro “História das Cidades de Araruna e Caiçara no Estado da Paraíba e de seus Familiares”, escrito por Antenor, filho de Nô Lima cita Severino Ismael na época em que o major Carlos Espínola, era prefeito de Caiçara (1917 a 1928). Ana Frazão, esposa de Ismael, entrava na Igreja quando a Sra. Maria Eugênia disse para a sua amiga Rama Queiroz: “Veja quem vem ali, é a primeira dama de Caiçara”. Foi um deboche, já a primeira dama era a esposa do Major Carlos, D. Teresa Ferreira. D. Teresa então se virou e disse de forma tranquila e em voz alta: “Minhas jovens, confesso que não gostei do modo como vocês confundem as coisas. Notem bem: o chefe político de Caiçara é o Major Carlos Espínola, meu fiel esposo. Somos bem casados e eu jamais gostaria de perdê-lo para outra dama”. O episódio chamou a atenção de todos os presentes e foi comentado por toda a cidade.

A partir de 1928, o Major Nô Lima, que era cunhado de Carlos Espínola, assumiu a prefeitura e a rivalidade entre ele e Ismael ficou mais acirrada. O referido livro de Antenor Lima registra alguns episódios emblemáticos dessa época.

Em um deles Nancy, filha de Nô Lima, foi ao correio e lá se encontrava Zé Bodinho, capanga de Severino Ismael. Ele mostrou o cano de seu revólver para a moça. Nancy chegou em casa aos prantos. Nô Lima, que morava no atual casarão da família Queiroz, ao lado da igreja, julgou que Ismael tinha mandado o tal Bodinho fazer aquilo para afrontá-lo, pois sabia que Nô Lima como delegado não permitia a exibição de armas. Assim, Nô Lima e seu amigo José Martins esperaram no terraço da casa a passagem de Zé Bodinho. Já perto da madrugada, Bodinho apontou e os dois o pegaram e o amarraram a uma árvore no quintal, só soltando-o no outro dia de manhã. Ismael então denunciou Nô Lima ao governador João Pessoa por abuso de autoridade. Mesmo sendo amigo de Nô Lima, João Pessoa afastou o Major da prefeitura sem ouvi-lo antes. Depois, Nô Lima se justificou ao Governador e retornou ao cargo.

Em outra oportunidade, quando o delegado passou a ser um aliado de Ismael e Nô Lima estava ausente da cidade, o Sr. Luís Américo (“Seu Lú”), um dos melhores amigos do Major, foi intimado para comparecer a delegacia e entregar o rifle que possuía em casa, numa época em que todos que tinham condições mantinham uma arma em casa para se defender. Os amigos do prefeito protestaram e não permitiram que Seu Lú entregasse sua arma. Uma noite depois do ocorrido, Nô Lima voltou e convidou o amigo para dar uma volta com o rifle. Eles passaram pelo delegado em frente à igreja e não deram nem atenção. O delegado também teve receio de tomar alguma atitude. Poucos dias depois o delegado foi substituído pelo Tenente Mota, amigo de Nô Lima.

Outros episódios interessantes se deram na visita de João Pessoa à Caiçara, em 1930. Mesmo o prefeito Nô Lima sendo o anfitrião, Severino Ismael também queria encontrar-se com o governador. Assim, percebendo-se vigiado por correligionários de Ismael, Raul Guedes, primo de Nô Lima, fez um falso telefonema como se estivesse confirmando com a comitiva do governador a sua vinda pelo distrito de Belém. Ao ouvir isso, o espião de Ismael levou a notícia a seu chefe e eles partiram naquela direção. Mais tarde, João Pessoa foi recepcionado por Nô Lima, na entrada da cidade, vindo de Nova Cruz/RN. No mesmo dia um banquete foi oferecido por Nô Lima ao governador. Severino Ismael, sem ser convidado, entrou com sua comitiva, quando todos já estavam sendo servidos. Um clima tenso se instaurou no ambiente. Dona Estefânia, primeira-dama e organizadora da cerimônia, foi até seu marido e cochichou sobre que atitude deveria tomar, Nô Lima então disse que na sua casa, seja lá quem for, é recebido e bem tratado, e mandou servir Ismael.

A grande guinada de Ismael no mundo político se deu na Revolução de 1930, quando participou como Liberal e despontou como uma grande liderança do bloco dos Mirandas. Quando Gratuliano da Costa Brito foi governador da Paraíba(1932-1934), houve uma mudança no poder político de Caiçara, que foi para as mãos dos dissidentes de 1930, entre eles: Abdon Miranda, Dustan Miranda (filho de Tota Miranda), Corálio Soares (filho de Antonio Soares), que atuavam mais na capital do estado; na cidade destacavam-se José e Severino Ismael de Oliveira, Rosendo Soares da Cruz, Antonio Vieira de Lima, Clóvis Cruz Marques, Henriques Rodrigues de Lima, Francisco José da Costa (“Costinha”), Joaquim Soares de Oliveira e outros. Com a saída de Nô Lima, em 1935, a família Alves de Carvalho, passou a liderar a facção política em oposição à Severino Ismael. Eram os “Ismaéis” contra os “Alves”.

Em 1934, com a restauração do Termo Judiciário de Caiçara, Severino Ismael foi nomeado tabelião. A rivalidade política se refletiu também no âmbito cartorário. Em 1938, foi criado o 2º Ofício de Caiçara, tendo por tabelião o Sr. Luiz Gonzaga de Araújo. Luiz Araújo era casado com Olívia Alves, filha do casal Maria Alves Maciel(“Dona Cota”) e de Manoel Marcolino(“Tenente Marcolino”) que deram origem a família Alves de Carvalho. Envolvido na política e no serviço cartorário, Severino Ismael deixou a padaria para o popular “Zé Francisco”.

Também a partir de 1935, os prefeitos nomeados para Caiçara passaram a ser do partido de Ismael. Destacamos nesse período o “Coronel Costinha”(1º prefeito eleito), Abdias Pires, Dr. Haroldo Espínola, Tenente Alfredo e Dustan Miranda. Em março de 1945, o próprio Severino assumiu a prefeitura de Caiçara pela primeira vez. Suas principais obras foram a construção do posto de saúde “Cel. Francisco Caitéte” (onde hoje funciona a prefeitura), o início da construção do novo prédio do Grupo Escolar João Soares e a reorganização da banda de música. Em novembro do mesmo ano, após a deposição do presidente Getúlio Vargas, Ismael pediu exoneração.

Em fevereiro de 1946 Severino Ismael voltou à prefeitura. Um trágico episódio aconteceu na sua posse: um foguetão vitimou “Mestre Júlio”, pai de Zé de Biu, que tocava o sino. Nessa época, ele concluiu o posto médico e deu continuidade as obras do grupo escolar; construiu escolas nos distritos; recuperou o antigo João Soares; fez terraplanagem nas ruas, abriu a “Rua da Lagoa”, criou serviço de assistência social, inclusive transportando doentes para os hospitais da capital, além de obras nos distritos. Foi exonerado a pedido em novembro de 1946 para concorrer ao cargo de deputado estadual.

Com a sua vitória, a partir de 1947, um filho de Caiçara chega a Deputado Estadual. Seu sucesso na política foi imenso. Severino Ismael foi deputado por cinco legislaturas, de 1947 a 1966, tendo sua base política em Caiçara e seus distritos. Vejamos as votações que Ismael obteve em Caiçara nas suas campanhas para Deputado: 82% dos votos em 1947(pelo PSD), 60% em 1950(pelo PR), 46,8% em 1954(pelo PTB), 47% em 1958(pelo PSB), 37,5% em 1962(pelo PDC) e 29% em 1966(pela ARENA 1). Na campanha de 62 concorreu com outro candidato do município, Amélio Leite, de Logradouro, e ambos foram eleitos. Em 1966, além de Amélio Leite, Acrísio Vieira, de Lagoa de Dentro(jé emancipada), também concorreu e todos os três acabaram perdendo.

No auge da sua influência, chegou a ser 2º Secretário da Assembléia Legislativa, Presidente da LBA (Legião Brasileira de Assistência) na Paraíba e Delegado do IAPETEC (Instituto de Aposentadoria e Pensões dos Empregados em Transportes e Cargas). Curiosamente, duas de suas filhas casaram-se com filhos de João Agripino, grande político paraibano, que chegou a ser Governador e Ministro das Minas e Energias. Também no período em que tinha maior expressão, todos os prefeitos de Caiçara foram os apoiados por ele como Francisco Carneiro, Alberto Costa e Severino Costa (sobrinho do deputado). As principais obras que Ismael conseguiu no seu período como deputado foram o Posto de Puericultura Santana, hoje popularmante chamado de “SESP”(1951) e a finalização do atual “Grupo João Soares”(1961), além de que muitas obras dos prefeitos apoiados por ele tiveram também sua participação.

No final dos anos 1950 Ismael teve uma polêmica participação nos processos de emancipação dos distritos de Caiçara. O deputado, de início, era contra as emancipações, dentre outros motivos, por que sua liderança seria reduzida. Depois, ante a possibilidade de um prejuízo maior ante a má repercussão da sua posição, voltou atrás.

Mesmo não tendo sido mais eleito deputado, manteve a militância política até o final dos anos 1970. Seu casarão que, até ruir poucos anos atrás, ficava no início da Rua Nova (atual rua Pref. Antonio Miranda), sempre foi muito frequentado.

Severino Ismael faleceu em 30 de maio de 1988. Em vida, ele foi homenageado tendo seu nome do obelisco (“pirulito”) que é o marco do cinquentenário da cidade. Postumamente, teve seu nome posto numa rua da cidade de Belém e no primeiro conjunto habitacional de Caiçara, que por ter sido invadido na noite do final da novela “Que rei sou eu?”, recebeu também o apelido de Avilan.

Como a maioria dos políticos, Severino Ismael foi amado por muitos e odiado por outros. Muitos lhe são gratos pelos muitos empregos que conseguiu, outros o têm como um político perseguidor. Não nos cabe aqui julgá-lo, o que não podemos é desprezar a trajetória daquele que foi o político de maior expressão da história de Caiçara.

Prof. Jocelino 31/05/2010.

URL curta: http://www.caicarapb.com.br/?p=1850

Publicado por em 8:17. Arquivado em Caiçarense do Mês, Destaques, Especiais, Prof/Jocelino. Você pode acompanhar quaisquer respostas a esta entrada através do RSS 2.0. Você pode deixar uma resposta, ou trackbacks a esta entrada

3 Comentários para “[Caiçarense do Mês - Junho] Severino Ismael de Oliveira”

  1. Florencio
    Usando Internet Explorer 6.0 Internet Explorer 6.0 no Windows XP Windows XP

    Estava na expectativa de quem seria o caiçarense do mês de junho, quando, mais uma vez, o prof. JOCELINO nos brinda com a biografia de um dos filhos ilustres de nossa terra. Possa eu aqui trazer um comentário sem atrair o desagrado de alguém.
    Meu pai sempre foi eleitor convicto de Severino Ismael. Isso mesmo, Severino Ismael. Sem títulos, sem cerimônia, com toda a simplicidade, pois ele gostava de parar em cada esquina para cumprimentar seus amigos, os eleitores. Meu pai sempre votou nele, pois entendia ser o melhor para o município.
    Quanto a mim, criança e pré-adolescente, lá pelos anos 40 e 50, acompanhava meu pai em suas simpatias. Contudo meu maior interesse era pelas festas (comícios) que aconteciam durante a campanha eleitoral.
    Foi com pesar que soube haver ruído o casarão onde residiu o notável político. pois tenho gratas recordações dos festejos ali ocorridos por ocasião das campanhas eleitorais. Naquela época não havia impedimento legal para que o candidato oferecesse alimentação e transporte, mesmo no dia da eleição.
    Grandes reuniões ocorreram, naquela época, no casarão, com “buchada” e “panelada”, servidos no quintal, na hora do almoço. Depois, à tarde e até a noitinha, enquanto a “vitrola” tocava os sucessos do momento, a meninada se espalhava pela sala em danças. Aconteciam os primeiros encontros entre adolescentes e começavam alguns namoros. Não posso afirmar com certeza, mas é possível que alguns desses namoros hajam terminado em casamento.
    Severino Ismael é uma imagem bem viva em minha memória. Durante as campanhas eleitorais desloquei-me, muitas vezes, na carroçaria dos caminhões que levavam admiradores para os diversos comícios nos Distritos. Havia sempre muita comida, bebida e lindas meninas que enfeitavam a paisagem.
    Os anos passaram e mesmo distante acompanhava sua trajetória política. Soube de sua morte em 1988. Simbolicamente o ano em que se votaria a Constituição cidadã em 5 de outubro. Ele não viveu para vê-la promulgada, mas estou certo de que sempre viveu por, por tudo que fez pensando e lutando pelos mais necessitados.
    Estou entre aqueles que o amaram. Infelizmente a política, às vezes, leva os homens a colocar o interesse das causas que defendem, acima de quaisquer outros interesses, atraindo, para si, ódios e inimizades.
    Respeito os que tenham posição divergentete da minha. De qualquer forma, como afirma o ilustre professor, “o que não podemos é desprezar a trajetória daquele que foi o político de maior expressão da história de Caiçara.”
    Parabéns, meu caro Jocelino!

    Rio de Janeiro – Bairro da Lapa!

  2. Vera Lucia
    Usando Internet Explorer 8.0 Internet Explorer 8.0 no Windows XP Windows XP

    Pedro Ismael de Oliveira, pai de Severino Ismael, era tio de minha Avó Materna – Antonia Ribeiro do Amaral e de minha Avó Paterna – Enedina Ribeiro do Amaral.

    Gostei desse resgate das personalidades de Caiçara. É muito interessante e mantém viva a nossa história!

    Continuem assim. Obrigada

  3. Williams (Maninho)
    Usando Internet Explorer 8.0 Internet Explorer 8.0 no Windows XP Windows XP

    Olá caiçarenses amigos, um forte abraço.

    O Ilmo. Sr. Severino Ismael foi um grande vizinho, alem de destacar toda sua pessonalidade, um político de caráter e honesto, alem de ser um homem público, uma pessoa culta. Lembro-me de muitas vezes sentar ao seu lado, na calçada de sua residencia e consultar algums páginas do Jornal “O Norte”, o qual tinha o hábito de ler todos os dias, mesmo o referido exemplar só chegando no final da tarde em nossa cidade.
    Lembro ainda as vezes que ele me perguntava se eu gostava de política, e respondia que sim, mas eu não era bem vindo, pois um Arenista como ele sempre foi não eceitava opinião de um admirador do MDB. Apesar de não ter idade ainda para exercer minha cidadania como eleitor, poi tinha uns 10 a 12 anos na época.
    O Sr. Severino Ismael tem um de seus decendentes em Caiçara, neto, esse que pouca gente tem conhecimento, o mesmo é um tio meu por parte de mãe, filho do seu xará o Sr. Severino Florencio (Severino Crente) e Neuza Florencio.
    Mais a pessoa do Sr. Severino Ismael, torna-se como exemplo para nós caiçarense que amamos essa cidade, de nunca ter deixado suas origens, por mais que ficasse ausente por motivos de trabalho, sempre voltava para visitar os seus conterrâneos, e, como sempre era de costume ler seu Jornal e papear com amigos conterrâneos.

    Respeitosamente,

    Williams (Maninho)

    RJ, 19AGO2010.

Deixe uma Resposta

:D :) :( :o :? 8) :lol: >:< :P :wink: :happy: :cry: :blush: :rolleyes: :kiss: :undecided: :-#

Enquete

O que você achou de nosso Novo Portal?

Ver Resultados

Loading ... Loading ...

Previsão do Tempo

No Twitter

Imagens

Desenvolvido por Paulo Frazão