
CAIÇARENSE DO MÊS JOAQUIM PEREIRA
CENTENÁRIO DO NASCIMENTO DO GRANDE MAESTRO
Maestro Joaquim Pereira, de Caiçara para o Mundo
A tradição musical da nossa Caiçara é muito antiga. No dia da instalação do município, em janeiro de 1909, uma banda tocou a alvorada. A organização da banda de música foi uma das ações do nosso 1º prefeito, Antonio Miranda. Nossa banda, de início, chamou-se “3 de Maio” e, a partir de 1910, passou a se chamar “7 de Novembro”. À frente da nossa banda estava o maestro caiçarense Minervino de Oliveira e Silva, que se popularizou na região tendo regido também as bandas de Guarabira e Bananeiras, cidade da qual também compôs o hino. Os irmãos de Minervino, Etelvino e Zé Faustino, também se destacavam como músicos.
Desse “berço musical”, em 27 de maio de 1910, nasceu Joaquim Pereira de Oliveira, filho de José de Oliveira e Silva (“Zé Faustino”) e de Francisca Pereira de Oliveira. Seu pai, além de marceneiro, era compositor, costumava tocar na sarafina da igreja e era clarinetista da banda.
Desde criança “Quinca Faustino”, como era chamado, já mostrava ter talento. Aos oito anos seu pai já lhe ensinara a tocar flauta, passando depois para o clarinete e o harmonium. Foi com o clarinete, acompanhando seu pai, que “Quinca” começou a encantar os caiçarenses.
Um episódio, ocorrido em 1925, marcou para sempre a trajetória do nosso músico. Naquele ano a Banda de Música da Polícia Militar da Paraíba veio se apresentar em nossa Festa de Reis. Em certo momento, o menino Joaquim fez uma apresentação com seu clarinete que encantou os militares a ponto de ser convidado pelo mestre da banda para, de início, trabalhar como arquivista e depois ingressaria na carreira militar como músico. O pai do músico foi contra pois ele era o único filho homem, tinha apenas uma irmã e sua mãe havia ficado cega, o que aumentava sua responsabilidade, ajudando o pai na marcenaria. Porém, aconselhado pela esposa e amigos, acabou cedendo. Com essa decisão, Caiçara perdeu um marceneiro, mas ganhou um extraordinário músico e compositor.
Ao passar pelos exames médicos da corporação, Joaquim foi reprovado, porém o coronel contrariou a recomendação médica e o manteve para não perder seu talento. Uma vez incorporado, ele tratou de aprender diversos instrumentos. Assim, aos 19 anos foi nomeado Sargento/Mestre de Banda de Música, o mais jovem mestre de banda militar do país. Suas primeiras composições foram “Tabajara Esporte Clube” e a valsa “Ósculo de Mãe”, uma homenagem a sua genitora.
Em 1930, ao passar pelo centro de João Pessoa e testemunhar retirantes da seca que mendigavam defronte ao prédio dos Correios, lhe veio a inspiração para sua maior obra, o dobrado “Os Flagelados”. Escrito em poucas horas, esse dobrado é executado por bandas de todo o Brasil e também no exterior, sendo considerado um dos mais belos já compostos em nosso país.
Aos 21 anos o músico se casou com Maria das Dores Pessoa, com a qual teve três filhas, vindo a primogênita a falecer em 1934. Superado o trauma, compôs a valsa “Saudades de Vivi”. Porém o ano de 34 ainda guardava outra tragédia para Joaquim, sua esposa faleceu acometida de tuberculose. Seu sofrimento foi externado nas valsas “Jamais Amarei” e “Dor Oculta”.
Os tempos do maestro a frente da banda do 22º Batalhão de Cavalaria e posteriormente do 15º Regimento de Infantaria foi muito profícuo em composições de dobrados que se eternizaram.
Em visita a Caiçara, em 1936, iniciou pela manhã um namoro com sua prima Zilda Soares de Mendonça. O músico resolveu que só voltaria para João Pessoa levando a amada. Os familiares usaram de prestígio e amizade para vencer a burocracia e realizar, no mesmo dia, o casamento no civil e no religioso. Tendo sido preciso telegrafar ao Arcebispo para conseguir uma autorização. O casamento durou 57 anos e nove filhos.
No mesmo ano de 1936 Pereira passou por um terrível momento. Ao retornar com a banda de uma apresentação no município de Espírito Santo, o ônibus saiu da estrada e capotou. Muitos músicos se feriram, porém os mais graves foram o sargento-músico Afonso e Joaquim Pereira. Um sarcedote chegou a ministrar a extrema-unção aos dois. Afonso realmente faleceu antes de chegar ao hospital e Joaquim só recuperou-se depois de dois meses de internação. Em homenagem ao amigo, o maestro compôs o dobrado “Recordações de Afonso”.
O maestro participou de vários corais da capital, foi autor do hino do Colégio Nossa Senhora das Neves, do Vasco da Gama Esporte Clube e de muitos hinos religiosos, com destaque para um que homenageia Santa Cecília e ficou conhecido como “Ave Maria de Pereira”.
Em 1938, Joaquim participou de um concurso de marchas carnavalescas pela Rádio Tabajara. Entre 19 concorrentes, sua composição “Arrastando a Onda” foi a vencedora. O compositor, no entanto foi acusado de plágio de uma marcha-frevo do famoso compositor pernambucano Capiba. O próprio Capiba chegou a ser consultado e interveio a favor de Joaquim, assegurando-lhe o prêmio.
Ainda no estilo popular, o maestro montou uma orquestra chamada “Jazz Band”, fazia parte da Orquestra de salão da Radio tabajara e também montou uma orquestra de frevos.
Um marco na vida do maestro foi sua atuação na fundação da Orquestra Sinfônica da Paraíba, em 04 de novembro de 1945. Por ter advindo do “Club Symphonico”, criado em 1902 e perdurado até 1906, a orquestra é tida por muitos como a mais antiga do Brasil. Sua composição “Prece Sonora” foi a única de um compositor brasileiro a ser executada na estréia da orquestra, em 29 de maio de 1946. Em homenagem a esta estréia Joaquim compôs “Sinfonia Triunfal”. Com a saída do maestro Francisco Picado, em 1949, Joaquim Pereira passou a ser o regente da sinfônica.
Em 1950, o pai de “Quinca Faustino” veio a falecer acometido por um câncer quando o mesmo encontrava-se participando de um concurso de mestre de banda no Rio de Janeiro. Mesmo muito preocupado com a saúde do pai, o maestro, disputando com músicos de todo o país, conseguiu um glorioso segundo lugar.
Assim, em 1951, foi promovido e transferido para o Rio de Janeiro para tornar-se regente da Banda de Música da Academia Militar das Agulhas Negras, a mais famosa do Brasil na época. O início da estada no Rio de Janeiro foi muito produtivo para o compositor, vários dobrados surgiram nessa época, entre eles “Gloriosa Academia Militar”, em homenagem às Agulhas Negras. Na capital federal, Joaquim também teve a honra de reger por duas vezes a Orquestra Sinfônica Brasileira em programações alusivas à Independência do Brasil.
Com apenas 44 anos de idade, Joaquim Pereira solicitou sua reforma do Exército no posto de Capitão e voltou para a Paraíba. Aqui retornou as atividades com a Orquestra Sinfônica. O maestro se empenhou em aproximar a sinfônica do povo, promovendo muitos concertos populares, principalmente em praças públicas e também vários “Concertos para a Juventude”.
A partir de 1960, ele reduziu bastante suas composições e apresentações. Em 1961, praticamente afastado do meio musical, participou das comemorações do aniversário do governador Pedro Gondim, para o qual compôs um dobrado que recebeu seu nome. Foram praticamente as últimas apresentações do maestro regendo um grupo musical.
Por motivos ignorados, Pereira recolheu-se à sua residência no Jardim Miramar, em João Pessoa e afastou-se do meio musical, desfez-se de instrumentos e, praticamente, parou de compor no começo dos anos 60. Nos anos 1970, passou por momentos difíceis com a morte de dois filhos e a amputação do seu dedo indicador direito.
A reclusão de Joaquim se manteve com o maestro recusando a muitos convites e não parando de receber homenagens. Ao mesmo tempo, suas composições ganhavam o Brasil e o mundo. Um exemplo disso foi quando o governador Tarcísio Burity, em solenidade no Colégio das Neves, relatou que em visita a Dinamarca, ao caminhar por uma praça, ouviu, por acaso uma banda executando o dobrado “Os Flagelados”.
Em 1987, Joaquim foi homenageado em Caiçara na “Festa das Personalidades” e em 1990, na comemoração dos seus oitenta anos e no lançamento do livro “Caiçara … Caminhos de Almocreves..”, o maestro regeu a banda de música do 15º RI, executando inclusive o “Hino de Caiçara”, cujos arranjos são de sua autoria. Foi sua última apresentação em sua terra natal.
No dia 29 de março de 1993, Joaquim Pereira faleceu em sua residência vítima de insuficiência respiratória. Atendendo aos seus pedidos, seu enterro foi acompanhado pelas Bandas da Polícia Militar e do 15º RI que na hora do sepultamento executaram “Os Flagelados” e o triste “Toque do Silêncio” emocionando a todos.
Joaquim Pereira deixou uma obra composta de dobrados, músicas eruditas, valsas, hinos, boleros, chorinhos e músicas para orquestras de cordas, estima-se que durante sua vida compôs em torno de quinhentas músicas. Foi tido pela crítica musical como um dos maiores compositores de dobrados do Brasil e o maior Mestre de Música da Paraíba, tendo inclusive feito a instrumentalização do Hino do nosso Estado. O maestro foi homenageado, em 1995, emprestando seu nome para um antigo sonho caiçarense, o asfalto que liga Belém a Logradouro, como leva seu nome uma banda da sua terra natal. Além disso, o salão dos músicos do 15º RI, uma rua no bairro de Mangabeira, em João Pessoa, e uma praça na Avenida Epitácio Pessoa também têm seu nome. Parte de sua obra foi gravada em dois CDs duplos, denominados “Joaquim Pereira Dobrados & Valsas”. A maioria das homenagens se devem também ao empenho do seu genro Pedro Macedo Marinho, que não mede esforços para manter viva a memória do eterno maestro.
Prof. Jocelino, 26/04/2010. Baseado no livro “Joaquim Pereira Maestro da Orquestra Sinfônica da Paraíba”, de Pedro Macedo Marinho.
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Neste 1º de maio de 2010 havia me programado para para escrever algo em homenagem ao trabalhador público e privado da minha cidade querida, e por que não dizer, ao povo em geral, pois todos, de uma forma ou de outra, somos trabalhadores. Contudo, mais uma vez fui, agradavelmente, surpreendido pelo Prof Jocelino com esta homenagem ao Maestro Joaquim Pereira, o querido “Quinca Pereira” um dos grandes trabalhadores, quiçá o maior, de Caiçara.
Com sua capacidade de síntese, o professor nos presenteou com esta bela página. Qualquer coisa que eu pudesse, ou soubesse, escrever, seria redundante!
A escolha do maestro como figura de caiçarense a ser homenageado este mês foi de uma felicidade sem par. Lembro, na meninice dos meus oito anos, do maestro quarentão, no ano de 1949 ou 50, morando, ou passando temporada, não estou certo, em uma casa próximo ao Riacho da Picada (não sei se ainda é chamado assim), no antigo caminho de Logradouro (pois, segundo ouvi, a rodovia atual tem outro traçado). Em um desses anos, inclusive, uma de suas filhas, Rosilda, foi minha colega de turma no Grupo Escolar “João Soares”. Éramos alunos da Profa. Antonieta, esposa do Dr. Álvaro, segundo estou lembrado, o primeiro dentista que atuou no Posto de Saúde Municipal, cedido pelo Estado. Era também aficionado por voleibol e estimulou a criação do primeiro time deste esporte em Caiçara.
Bom, mas o assunto aquí é o maestro Joaquim Pereira. Guardo gratas recordações das vezes que o vi em Caiçara, atuando profissionalmente, ou mesmo a passeio. Sua figura discreta e simpática, despertava a admiração de todos.
Por oportuno, quero solidarizar-me com meus conterrâneos a esta homenagem, por demais merecida, neste dia e neste mês tão especial!
Meus parabens!
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Uma honrrosa homenagem a este ilustre cidadão caiçarense, que sem sombra de dúvida prestou seus serviços em prol da nossa cidade. Mas do que justa a homenágem, bem como o oportuno comentário do tio Florêncio. Essa também foi uma época de ouro daquela geração de caiçarenses.
Atenciosamente,
Williams (Maninho)
Rio, 02MAI2010.
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Meu Caro professor Jocelino
Primeiro fiquei honrado com a sua visita a minha residência e agora você me deixa feliz por essa homenagem que faz a meu sogro Joaquim Pereira no seu centenario que ocorrerá no próximo mês de maio.
Um povo sem memória é um povo sem presente e consequentemene sem futuro e esse resgate que o amigo vem fazendo com relação aos caiçarenses que fizeram história é digno de todos os elogios, sem falar do extraórdinario trabalho que você junto com outros intrépidos jovens realiza com o grupo Atitude.
Aproveito a oportunidade para convidar você e todos os caiçarenses para um concerto no próximo dia 16 (domingo) as 17 horas no Estação Ciência aqui na capital, em homenagem ao nosso maestro Joaquim Pereira.
No citado concerto com a Banda Sinfônica maestro José Siqueira da UFPB, serão executadas 8 músicas de Joaquim Pereira e dois musicos um da Polícia Militar e outro do 15ºº Batalhão de Infantaria , tocarão como solisitS homenageando o seu antigo regente.
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Caro Jocelino,
Quando me referi ao próximo mês de maio, cometi m pequeno equivóco, pois já estamos em maio, ou seja, o concerto será no próximo dia 16, mais precisamente a duas semanas.
Abraços e mais uma vez obrigado em nome da família.
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Jocelino,
cada vez mais me surpreendo com o seu trabalho. Não te conheço pessoalmente , mas escuto muito sobre você. Esse informativo sobre Joaquim Pereira é ótimo. Parabéns. Não podemos esquecer nossas raízes.
Um abraço.
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Cara Célia Mendonça!
Seria que você tem um parentesco por afinidade com o ilustre maestro? Lembro, que eu tinha 12 ou 13 anos, lá pelos anos de 1949/50, quando o notável “Quinca Pereira” visitava Caiçara sempre estava lá pela casa do Arnaldo Mendonça. Afinal o nome da viúva do ilustre maestro é Zilda Soares de Mendonça. No final de contas, mesmo estando distante de Caiçara há mais de 50 anos, lembro que lá quase todo mundo era primo. Rsrsrs!
Atenciosamente!
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Mais uma vez estão de parabéns! Fico feliz em ver mais um parente sendo lembrado. Etelvino, Tio de Joaquim Pereira, é meu avô. Pai de minha Mãe – Francisca Amaral de Oliveira. Um grande abraço
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