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[Textos - Jocelino] Carnaval em Caiçara

Publicado por Paulo Frazão em 15 de fevereiro de 2010 e categorizado em Cultura, Destaques, Especiais, História, Prof/Jocelino, Projetos. Você pode seguir os comentários deste post pelo RSS 2.0. Você pode deixar uma resposta ou trackback para este post.

CARNAVAL EM CAIÇARA

Urso na FeiraO movimento do carnaval de Caiçara começa com os “cabimbas”, hoje mais chamados de “ursos”. Trata-se de um componente fantasiado a frente, outros fazendo batucada e outros dançando, eles saem pelas ruas pedindo dinheiro para brincarem o carnaval. Antes os cabimbas eram mais organizados e o dinheiro arrecadado servia para organizar os blocos. Hoje, são as crianças que mais fazem essa brincadeira e o dinheiro é para eles se divertirem.

O carnaval de blocos e os famosos bailes foram tradição em Caiçara. O bloco mais antigo que se tem registro foi do final dos anos 30 e tinha a frente o popular “Gabi”, participava também Seu Arnaldo, o saudoso Madruga e muitos outros, era um bloco da chamada “sociedade”, ou seja, das famílias tradicionais, o que chamaríamos atualmente de elite. A figura que mais se destacava era o alfaiate Gabi, balançando o estandarte com seus quase dois metros de altura.

Os blocos mais populares vieram com Mestre Júlio, Pedro Santana, Sabueiro e Pedro Bode, Bigode, Severino de Santa (Merenda), Luiz de Aprígio (que era metido a brabo), João Borges, Luiz de Duca e seu Zé de Arnaldo, o último a tentar organizar um bloco. Os organizadores pediam dinheiro ao povo para comprar suas fantasias, pois poucas vezes tiveram apoio da prefeitura. Nos três dias da festa os carnavalescos saiam fantasiados e com suas bandeiras, ao som das marchinhas antigas, pedindo dinheiro de novo, desta vez para fazer a festa, principalmente, tomar cachaça.

O nosso Carnaval atraia muita gente das redondezas e vinham até blocos de Logradouro e Braga de Cima e era provavelmente o único período onde as picuinhas políticas eram deixadas de lado e todos brincavam juntos;

Os blocos tinham suas sedes, uma delas foi onde hoje é a casa de Margarete, na rua Pref. Antonio Miranda e outra na casa onde morou Zagaia, na Rua do Eucalipto.

Porém, os antigos organizadores dos blocos foram envelhecendo, faltou também apoio do poder público, além das novas gerações não se interessaram. Assim, a cerca de vinte e cinco anos os blocos param. Hoje o nosso carnaval mantém apenas os tradicionais “ursos” e, às vezes, o “Zé Pereira”.

Em relação aos bailes, eles ocorriam à noite e nos da “sociedade” tinha que ser indicado para poder participar, “moça falada” não entrava. Um dos salões foi no antigo armazém de Manoel Barbosa, onde depois passou a ser a usina e hoje é o Banco do Brasil, outro foi no armazém de Zé Paulino, ao lado do sobrado, onde funciona um depósito da Eletrolar. Alguns bailes chegaram a ter orquestras trazidas de outras cidades. Foram marcantes, por exemplo, os bailes de 1966 e 1967, sob a organização de Luiz Alves quando veio a orquestra de Nova Cruz. Os populares, em certa época, faziam seus bailes em armazéns como o de Ednaldo Alves, ao lado da atual casa do saudoso Zé Moreira; e no de Argemiro, atual RDJ Presentes.Urso na Feira 2

Os Clubes também comemoravam seus carnavais. O do Clube “7 de Novembro” foi o mais conhecido e participavam, figuras como o saudoso Madruga, Bernadete Gomes, Seu Arnaldo e seus filhos, Zuca, Idalvo e muitos outros. Ás vezes até se elegia Rei Momo, como foi o caso de uma vez em que D. Maria Carneiro fez esse papel. A tradição ainda se manteve no Lítero Clube Recreativo Caiçarense até os anos 90, mas, principalmente nos anos 80, eram comuns as festas de Carnaval no saudoso “Babysom”, inclusive com as matinês à tarde que faziam a alegria da criançada.

De uns 10 anos pra cá, a população encontrou o caminho da Baia da Traição e as turmas com casas alugadas começam a partir da cidade na sexta-feira. Depois outros vão, mesmo sem ter onde ficar lá, dormem dentro de ônibus, e fazem a maior farra. O fato é que no Carnaval a cidade fica praticamente deserta e acaba se tornando uma opção para quem quer aproveitar o feriadão para descansar, embora de vez em quando o excesso de som dos carros de alguns exibidos atrapalhe isso também.

Pesquisado pelo Prof. Jocelino (2009)

Este foi um resumo da história do nosso carnaval e gostaria que vocês comentassem seja acrescentando algo, sugerindo ou até criticando. Gostaria também que mostrassem para pessoas da época e repassassem o comentário delas.

Estou escrevendo um livro sobre a história da nossa cidade,principalmente, dos últimos cem anos e a partir de agora estarei postando mais textos neste site e estarei sempre aberto a comentários, seja elogiando, criticando ou sugerindo.

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5 Respostas para “[Textos - Jocelino] Carnaval em Caiçara”

  1. Williams (Maninho) disse:
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    Ilmo. Sr. Jocelino, um grande abraço do seu conterrâneo.

    Com certeza a verdeira história do folclorico “Urso” é dessa forma, de acordo com sua narrativa. Baseado nesse fato cabe a mim acrescentar novas curiosidades ocorrida em Caiçara.
    Alem do Urso, Zé Pereira, teve um bloco muito famoso em nossa cidade, o bloco do Bigode, cuja a marchinha era muito interesante, que diz:

    A calça de Bigode hoje cai,
    no meio da, no meio da rua,
    Bigode não usa cinturão
    a calça de Bigode é amarrda com cordão.

    Esse é o refrão que cantávamos acompanhando o seu tradicional bloco carnavalesco pelas ruas de nossa Caiçara.

    Alem desse fato, não podemos nos esquecer o quanto era divertido o banho de talco ou maizena, saiamos todos de caras brancas e na maior animação.
    Mas o que nos contagiava eram as bicicletas barulhentas, onde usavamos latas vazias de óleo de soja, com um pequeno furo no fundo e colocavamos um barbante neste furo que puxavamos até o eixo traseiro e deva-se uma volta bem apertada. Conforme iamos pedalando a lata emitia um som muito alto, que se ouvia de longe, agora imagina dez ou vinte bicicletas juntas com essa engenhoca. isso para nós era motivo de farra.
    QUE SALDADE!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

    Atenciosamente,

    Williams (Maninho)

    RJ, 18FEV2010.

    [Responder]

  2. Florencio disse:
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    Bom Dia, Professor Jocelino!
    Seu trabalho buscando levantar a história de Caiçara, pelo menos nos últimos 100 anos, é louvável. Estou certo de que tem o apoio dos internautas e da população em geral. Imagino o trabalho exaustivo que tem. Apelo, daqui, aos responsáveis por todos os órgãos públicos do município para que apoiem essa iniciativa. Os internautas caiçarenses, ou amigos da cidade, que residem em outras cidades, ou até no exterior, que se disponham a colaborar, se tiverem alguma informação importante. Sei que o professor não tem condições de se dedicar com exclusividade a esse trabalho, pois tem outras atividades que lhe permitem a sobrevivência. Além da busca por documentos, a entrtevista com pessoas idosas, certamente consome muito de seu tempo. Aqueles que não foram convidados para entrevsta, até porque o professor desconhece que tenhqm alguma informação, que procurem o professor, voluntariamente.
    De minha parte, infelizmente, a contribuição histórica é pequena, pois tenho lembranças apenas entre o periodo de 1947, quando com 10 anos comecei a tomar conhecimento da vida social e cultural da cidade e o ano de 1956, quando me ausentei de Caiçara. De qualquer modo foi esse um periodo muito rico e gratificante de minha vida. Começava exatamente aí
    o chamado periodo dos “Anos Dourados” que iria até 1964.
    Meu caro professor! Meus parabens pelo seu trabalho. Coloco-me a sua disposição, aqui no Rio, se, de alguma forma lhe puder ser útil. Meu e-mail manoelflorencio@ig.com.br. Meus telefones (21)2507-5544 e (21)9975-2476.
    Um abraço!

    Florencio – Rio de Janeiro – Bairro da Lapa – 20.02.2010!

    [Responder]

  3. Florencio disse:
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    Caro Professor Jocelino!
    Peço que releve as falhas de redação, os erros gramaticais e de concordância, bem como a pontuação, pois o sistema tem caído com frequência em vista de estar sobrecarregado. Com isso, buscando aproveitar o tempo, não tenho feito revisão do texto!
    Um abraço!

    [Responder]

  4. Florencio disse:
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    Caro Jocelino!
    Pelo tanto que tenho escrito, permita-me a intimidade. Trate-me, também, simplesmente por Florencio! Rsrsrs!
    Já há alguns dias estava ansioso por saber notícias do Carnaval em Caiçara e eis que o professor Jocelino, que goza de minha admiração, pesquisador incansável, traz a público aspectos históricos do Carnaval em nossa cidade. Participei de meu último carnaval em Caiçara no ano de 1956. Naquele ano o sábado de carnaval caiu no dia 11 de fevereiro. Brinquei os quatro dias ao lado de minha namorada, meu grande amor, de quem a distância e o tempo, infelizmente, me separou. De qualquer forma , sei que hoje, na melhor idade, vive feliz, rodeada de netos! Logo depois do Carnaval, no dia 17, ausentei-me de Caiçara. Nunca esqueci, porém, o meu grande amor e a terra querida!
    Com a descoberta deste portal estou encontrando pessoas interessantes como você, Ana Patricia, Marcia Ramos, José Carlos, Paulo Frazão e tantas outras pessoas de Caiçara que estão me fazendo sentir como se houvesse voltado no tempo. Embora muitos de meus contemporâneos, velhos amigos e colegas de escola, hajam partido para a eternidade, sinto-me, cada dia mais, como se estivesse vivendo em Caiçara, embora haja se passado mais de 50 anos!
    Mas vamos aos aspectos históricos do Carnaval. Muito bom o seu trabalho! Parabens!
    Você começa lá pelos anos 30. Como escrevi, minhas lembranças começam lá pelos anos de 1947/48 e vão até 1956, quando me ausentei de Caiçara. Do termo “cabimbas” não tenho lembrança, porém os “ursos” me são muito familiares. Talvez não tinham a riqueza das fantasias atuais. Vestiam-se de forma rude, com sacos de aniage.. A batucada e as danças são as mesmas a que você se refere.. Misturavam-se ao grupo do “Zé Pereira” e circulavam pelas ruas dançando e cantando, “Olha o Zé Pereira/ Olha o Juvenal/ Olha o Zé Pereira/ No dia do carnaval!”
    Paravam um bom tempo em frente a “bodega” (mercearia) “A Vencedora”, do José Lopes, na esquina, ao lado da igreja matriz.
    Eram grandes carnavais nesse período. Havia um Bloco famoso, não sei se você localizou em suas pesquisas. Era “Os Pedreiros”. Não lembro quem eram os responsáveis, mas, com certeza, Mestre Julio e Pedro Santana estavam a frente. Suas fantasias eram exuberantes, em tecido brilhante, lamê, me parece, nas cores verde e amarelo, com detalhes em azul e branco. Como você vê, as cores da bandeira nacional. Não lembro exatamente de onde vinham, se de Logradouro ou Braga de Cima. A verdade é que no Domingo de Carnaval, por volta das 9 horas da manhã vinham chegando e, dançando, rodeavam o Mercado Municipal. Depois desciam para a rua principal (João Pessoa), dançando, fazendo evoluções e cantando. Lembro do refrão:
    “Olhe os pedreiros, oi!
    Olhe os pedreiros, oi!
    Olhe os pedreiros, são os bambas do Brasil!”
    Alguém que viveu na época, pode corrigir, ou completar, a letra!
    A palavra bamba anda meio em desuso, mas naquela época significava “o bom, o melhor!”
    Entravam em diversas casas, cujos donos abriam as portas e serviam água e refresco. Quem sabe, discretamente, uma cachacinha! Rsrsrs! Saiam, agradecidos, e continuavam!
    O Sabueiro, que era dono de um “bilhar” (sabe o que é?) liderava um outro Bloco de menor expressão, que não lembro o nome. Suas fantasias eram bem inferiores as do “Os Pedreiros”!
    O “Gabi”, grande alfaiate, Arnaldo Mendonça e o querido Madruga, na minha época, já faziam parte da “velha guarda”. O Madruga continuava grande seresteiro. Com 11 ou 12 anos, eu parava em frente ao portão de sua casa para apreciar lindas e velhas canções que ele dedilhava ao violão. É possível que venha dessa época o despertar o gosto pela música e a arte em geral. Anos mais tarde a Profa. Hilda, em Bananeiras, despertou-me o gosto pela música clássica, também. Bom, mas isso é outro capítulo!
    Grande abraço e um bom final de semana! Rsrsrs!

    Florencio – Rio de Janeiro – Bairro da Lapa – 20.02.2010!

    [Responder]

  5. Florencio disse:
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    Caros amigos foliões de Caiçara!
    Volto aqui apenas para fazer uma observação a respeito da fotografia que encabeça esta noticia. Em um momento quando uma parcela considerável de nossa juventude está se perdendo nas drogas e no alcoolismo vemos que é possível se divertir sem os exageros comuns nesse período. Podemos notar, na fotografia, como os jovens estão alegres, porém sóbrios. Inclusive um deles empunhando, corajosamente, uma garrafa de refrigerante!
    Meus parabens!

    [Responder]

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