[Textos - Jocelino] Caiçara, Cidade Centenária

Olá pessoal aqui mais uma vez eu Paulo Frazão, venho trazer para vocês um texto simplesmente sensacional sobre nossa cidade, como já diz o título acima: “CAIÇARA, CIDADE CENTENÁRIA”, como todos sabemos nossa cidade completa 100 anos de “Emancipação” (afinal teve quantas emancipações?), então sem mais papo furado vamos ao texto:
CAIÇARA, CIDADE CENTENÁRIA
Há 10 anos, depois de fazer um estudo do livro “Caiçara … caminhos de almocreves…”, venho procurando divulgar a história da nossa cidade. No ano do nosso centenário não podia ser diferente, aliás, tinha que ser especial. Assim, desde dezembro de 2007, o Grupo Atitude iniciou um trabalho chamado “Projeto Centenário”, que foi apoiado pela Sec. Mun. de Educação: textos raros foram digitalizados, montou-se a “Tenda Caiçara”, estudantes de história foram envolvidos, fotos históricas foram digitalizadas, livros e textos foram colecionados, pessoas foram entrevistadas, fotos comentadas foram expostas nas escolas, no Fórum e no Banco do Brasil, houve divulgação na internet através do agora site “Caicarapb.com”, cidades das redondezas foram visitadas, houve apresentação de fotos para filhos de Caiçara num encontro em João Pessoa, desfile cívico, enfim, houve um interessante resgate do nosso passado. O projeto não terminou. Estamos prestes a iniciar o “Ano Cem” e muita coisa bacana ainda vai acontecer.
Este trabalho vem trazer algumas informações básicas sobre nossa história e geografia, é claro que muita coisa ficou de fora, é o mal dos resumos. Os erros nós contamos com vocês para corrigi-los. Esperamos agradar aos interessados, esperamos que professores e alunos o levem para as salas de aula, e esperamos trazer boas recordações para os que vivenciaram esta história. O livro virá em breve, muita coisa interessante foi surgindo e nós queremos fazê-lo da melhor forma possível. Encerro convidando a todos para, a partir do dia 7 de novembro próximo termos um encontro semanal pela FM Cidade Marquesa, no programa “Caiçara, Passado e Presente”.
Por que saber sobre a história dessa cidade, se ela não cai no vestibular, nem nos concursos públicos? Primeiro porque somos caiçarenses e conhecer o passado da nossa cidade nos dará um entendimento muito melhor do nosso presente e ajudará a projetar nosso futuro. Depois, mesmo que essa história não seja exigida “diretamente” em exames, muitos fatos que aconteceram aqui estavam relacionados à história da Paraíba, do Brasil e do mundo, assim será mais fácil entendê-los. Enfim, ao conhecermos nosso passado de lutas e conquistas, de grandes nomes, e até de fracassos que também ensinam, veremos que temos do que nos orgulhar, veremos que o que passou… marcou, ensinou e muitas coisas mais, nos sentiremos ainda mais caiçarenses e veremos que está em nossas mãos a história que será escrita no futuro.
Agora, vamos deixar de conversa que temos muita coisa interessante para contar.
UM POUCO DE GEOGRAFIA
O município de Caiçara está localizado na Mesorregião do Agreste Paraibano e na Microrregião do Curimataú Oriental. Encontra-se em média a 150 metros acima do nível do mar. Dista-se em linha reta a 85 km de distância da capital do estado João Pessoa e a 128 km, indo por estradas asfaltadas. Seus limites são os seguintes: a leste – Lagoa de Dentro, Jacaraú e Duas Estradas; a oeste: Campo de Santana; a sul: Belém e Serra da Raiz e ao norte, Logradouro e Rio Grande do Norte(Nova cruz).
Caiçara possui uma área de 129,4 km². O clima é predominantemente quente e seco com temperaturas variando entre 25° e 34°c e pluviosidade entre 700 e 900mm anual. A vegetação predominante é a caatinga e a hidrografia compreende os rios pertencentes à bacia do Curimataú, o qual corta o município no sentido sul-norte e é um dos rios mais importantes do estado. A economia é baseada na agricultura de subsistência e nos serviços, com destaque para o funcionalismo público, aposentadorias e o comércio (informações pesquisadas pelo Prof. Adailton).
A população, pela contagem realizada em 2007, é de 7. 314 habitantes. Destes, 5.082 residem na zona urbana e 2.232 na zona rural. São 2.399 domicílios, sendo 394 deles desocupados. Nossa densidade demográfica é de 53,5 hab/km². São 3.666 homens e 3.570 mulheres (obs.: a diferença do total por sexo e a população total se deve a uma margem de erro do IBGE referente a domicílios desocupados).
UM COMEÇO
Às vezes é difícil saber por onde começar a contar uma história. Em relação a Caiçara poderíamos começar pela pré-história já que, no começo do século, foram encontrados fósseis em lagoas da região. Poderíamos também mergulhar nos mistérios que rondam as pinturas rupestres encontradas no Sítio Girau e na Pedra do Bico, mas optamos por começar acompanhando a História do Brasil, dessa forma, comecemos pelos índios.
Caiçara está numa região que era chamada pelos indígenas de Cupaóba. Os Potiguaras eram os índios que habitavam a Cupaóba e o nosso rio era divisa com a terra dos índios Tapuias. Os primeiros contatos com o branco não foram com os portugueses e sim com piratas franceses. Assim, quando quiseram impor seu domínio sobre essas terras os portugueses tiveram muita dificuldade para enfrentar os índios: a região era de difícil acesso devido suas serras, eles eram valentes e estavam aliados aos franceses que os armavam. Foram 25 anos de guerras (1574 a 1599), as chamadas Guerras da Cupaóba.
Dominados os indígenas, veio a catequese pelos jesuítas e a distribuição de sesmarias (grandes porções de terras) para que os portugueses ocupassem e explorassem a área. Assim, em 1613, Raphael de Carvalho obteve a sesmaria de nº 13 da Capitania da Paraíba, que abrangia a área onde hoje fica Caiçara. Pelo acesso a água, ele, ou um empregado seu, pode ter sido nosso primeiro morador.
Em meados do século XVII, a distribuição de sesmarias deu uma parada devido às invasões holandesas e a revolta dos índios Cariris, dos quais faziam parte os Tapuias. No século XVIII, as terras continuaram a ser distribuídas e divididas. A região foi sendo cada vez mais destinada à criação de gado e o vaqueiro teve papel importante para desbravar a região, já que o gado era criado solto.
O “MOÍDO” DA EMANCIPAÇÃO
Em 1822, Manoel Soares da Costa, com sua família e a de seu cunhado José Vicente vieram para esta região e construíram suas casas de morada, uma capela e os currais de pau-a-pique. Foi a fundação de Caiçara. Com os currais e as primeiras casas surgindo, o local começou a ser passagem de almocreves e tropeiros que vinham com suas tropas de burros de feiras como a de Mamanguape e de Guarabira, em direção a de Anta Esfolada(que cidade é essa?). Essa estada aqui em Caiçara se dava aos domingos, já que a feira de Anta Esfolada era na segunda. O movimento dos almocreves começou a atrair pessoas para residir nesse trecho, assim, além da vantagem de morar perto do rio, elas poderiam comprar produtos a eles, bem mais baratos que nos barracões dos engenhos da Serra da Raiz. Essa movimentação não agradava aos donos dos engenhos.
Anos depois, em 1841, tendo em vista o aumento do movimento de tropeiros e aumento da população, surgiu a idéia de realizar uma feira aqui aos domingos. Devido ao evidente prejuízo que a feira traria, os senhores de engenho da Serra foram contra, porém, Manoel Soares insistiu. Ao se agendar uma data para a 1ª feira, vieram as ameaças, piquetes foram colocados nas estradas e o “Major Costa”, líder da Serra da Raiz, preparou força armada para destruir a feira de Caiçara.
Diante das ameaças dos serranos, Manoel Soares, por intermédio do Coronel José Lucas de Souza Rangel, levou as ocorrências ao conhecimento do Governo Provincial, que enviou tropa da Guarda Estadual para garantir a feira de Caiçara, que só assim pôde acontecer com segurança. A presença de um político influente como o Coronel José Lucas, despertou nas lideranças de Caiçara o sonho de ficar independente de Serra da Raiz. Porém, a política independente da nossa cidade começou mesmo com a chegada de Francisco da Costa Gonçalves, parente tanto de Manoel Soares quanto do “Major Costa”, e começou a disputa com a Serra da Raiz.
Na Serra, também aconteceram fatos muito interessantes nessa época. O poderio econômico e político estava nas mãos dos senhores de engenho. O Major Costa faleceu em 1866 e deixou seus bens para um genro, o “Tenente Cazuza”. Porém, “Antonio Imburana”, irmão do Major, foi contra este testamento. Veio a confusão e a família acabou se dividindo. Em 1877, morre Imburana e o Tenente Cazuza assume a chefia da Serra, apoiando as ações do seu irmão, o Padre Emygdio Fernandes. A política de lá então ficou dividida entre os Fernandes e os Costa. Com a rixa entre as famílias, a facção de Imburana passou a apoiar a emancipação de Caiçara.
Em Caiçara, falecidos os primeiros líderes, Manoel Soares e Francisco da Costa, seus filhos José Soares de Carvalho e Manoel da Costa Queiroz assumiram as chefias dos partidos Liberal e Conservador, surgindo assim os primeiros grupos políticos de Caiçara, com os “Soares” como Liberais e os “Queiroz” como Conservadores.
Em 1870, deu-se a criação da Freguesia de N. S. do Bom Fim, com sede na Serra, uma grande conquista dos serranos. Em 19/10/1883 o deputado e coronel Antonio José da Costa Maia apresentou projeto de emancipação de Caiçara que acabou sendo convertido na Lei nº 756, de 06/12/1883, nossa terra estava independente(foi esse centenário que comemoramos em 1983). A iniciativa para a criação do município teve a frente Joaquim José Soares de Carvalho, filho do fundador Manoel Soares. Por esta lei a Serra da Raiz ficava como distrito de Caiçara.
A reação dos serranos foi imediata e um fator passou a favorecer-lhes, houve renovação da bancada na Assembléia do Estado e a maioria parlamentar passou a ser dos Conservadores, apoiados naquela localidade. Assim, o Padre Emygdio Fernandes, deputado e líder político da Serra da Raiz, conseguiu a transferência da sede do município para Serra da Raiz em 02/10/1884. Ainda em 1884, Pe. Emygdio consegue aprovar projeto que eleva Serra de Freguesia para Termo e em 28/09/1885 eleva a mesma a Comarca. Dando seqüência as mudanças, a Lei nº 8 de 15/12/1892, colocou tanto Serra da Raiz como Caiçara como pertencentes à Guarabira, pois se achava que não era viável duas sedes de município tão próximas(12km).
No começo dos anos 1900 novas lideranças foram surgindo por aqui, entre elas Antonio Florentino da Costa Miranda(Cel. Tota Miranda), Antonio Soares de Oliveira, Joaquim de Paula Carvalho, Miguel Pedro da Silva e outros. Com a sua habilidade, Tota Miranda apaziguou os ânimos com as lideranças da Serra da Raiz e, sem que houvesse atritos, em 07 de novembro de 1908, foi sancionada pelo Presidente do Estado João Lopes Machado a Lei nº 309, emancipando em definitivo nossa querida vila de Caiçara.
O NOME
“Caiçara” é, a princípio, denominação de certo tipo de cerca indígena. Porém, é também um tipo de cercado de madeira à margem de um rio para embarque do gado. Provavelmente, foi esse significado que fez com que os tropeiros passassem a chamar os currais aqui construídos por Manoel Soares, a partir de 1822, de “Caiçaras” e o nome acabou passando para o vilarejo que ia surgindo. É bom ressaltar que nossa cidade sempre teve esse nome, embora tenha tido uma sugestão, provavelmente do Padre Ibiapina, por volta de 1870, para que o nome mudasse para Marianópolis, mas a população não aceitou. O padre era realmente chegado a sugerir nomes: para Gengibre sugeriu Belém; para Serra da Raiz, Jerusalém; e para Anta Esfolada, Nova Cruz.
A CIDADE QUE CONSTRUÍMOS.
Em relação ao crescimento da nossa cidade, podemos dizer que Caiçara foi uma cidade que diminuiu enquanto crescia, ou seja, enquanto perdia seus distritos a sua zona urbana se ampliava. As emancipações foram polêmicas, nossa maior liderança, o deputado Severino Ismael, foi contra todas elas, já que Caiçara perderia território e verbas (enquanto ele perderia votos). Mas não teve jeito, perdemos Belém em 1957; Serra da Raiz em 59, que levou junto Duas Estradas e Sertãozinho, Lagoa de Dentro em 1960 e, por fim Logradouro em 1994.
Por outro lado, grandes mudanças aconteceram nas nossas ruas. A Caiçara emancipada tinha cerca de 130 casas e o principal prédio era o sobrado onde morava nosso 1º prefeito. A via principal era a Rua do Comércio(atual João Pessoa) e nela foram construídos o Grupo João Soares, o Conselho Municipal(antiga prefeitura) e a cadeia. Tínhamos mais três ruas: Rua Nova(começo da atual Pref. Antonio Miranda, partindo do lado da igreja) , Quebra-Quilos e Fala-Baixinho, todas sem calçamento. O povoamento na parte de trás da igreja fez surgir a Rua da Aurora. As terras por trás da Rua do Comércio pertenciam ao Tenente Marculino.
Em 1931, veio o meio-fio da Rua do Comércio, a construção de um coreto no meio dela e a desativação do cemitério. No final dos anos 30, começa a ser incentivado o crescimento para a chamada “Cidade Alta”, impulsionado pela construção do mercado e a transferência da feira. Depois, nos anos 40 veio o posto médico, o Fórum(onde hoje é a farmácia popular), o Posto de Puericultura(atual “SESP”). Avenidas são abertas na “Cidade Alta”, é aberta a “Rua da Lagoa” e as casas de comércio também foram migrando para a parte superior.
No começo dos anos 50 a própria prefeitura foi transferida para a Cidade Alta(no local onde era o posto, que passa para o outro lado da rua), uma praça foi construída onde era o cemitério e foi instalada a indústria Carneiro ao lado do mercado, a movimentação é intensificada e novas ruas vão surgindo, como a Júlio Henrique. O final dos anos 50 vê surgir o novo Grupo João Soares, é aberta a rua Tenente Marculino, veio a Praça do Rosário(ao lado da igreja) e uma ampla reforma é feita na Rua João Pessoa com calçamento e construção da Praça João Pessoa, infelizmente, o coreto foi sacrificado.
Já no começo dos anos 60 teve a construção da Praça Epaminondas Tavares(atrás da Igreja), que por um bom tempo teve um lago no seu centro, foram feitas as balaustradas ligando a João Pessoa à Rua da Aurora, veio o prédio do Ginásio Comercial(onde hoje é o fórum). Nos anos 70 tivemos, entre outras obras, o estádio Francisco Carneiro e a Praça Dois Antônios.
Iniciamos a década de 80 com a construção da quadra, do Grupo Escolar João Alves e do Colégio Estadual. Em seguida, tivemos o 2º bloco do mercado público, a Secretaria de Educação, o Centro Social, o Banco do Brasil(antes onde hoje é a Câmara), o Banco Paraiban, a creche, o conjunto “Severino Ismael de Oliveira”(apelidado de “Avilan”) e o Pré-escolar “Tio Patinhas”.
Nos anos 90 vieram o terminal rodoviário, a arborização com os pés de castanholas, o fórum atual, Praça da Leitura(onde era o antigo “açude do depósito” e tinha virado um “lixão”), praças no Fala-baixinho, na Epitácio Pessoa e na Gov. José Américo, conjunto “Antonio Mariz”, o “outro lado” da Rua Quebra-quilos, veio a Capela Santa Clara, o pré-escolar Joana Alves, o “Calçadão”, o Centro Cultural e o “Esperança Caiçara Hotel”.
Depois de 2000 o crescimento continuou e as principais obras foram o hospital e maternidade Nsa. Sra. do Rosário, a escola Mª Eudésia, o Centro Comercial(onde era o Paraiban), a praça Waldemir Miranda, o nosso 1º bairro, chamado de Nsa. Sra. do Rosário, o ginásio de esportes e o conjunto “Dom Epaminondas”. E vamos que vamos… Cresce, Caiçara!
*OBS: Creio que muitos procurarão comparar administrações através das obras que citamos aqui, queremos então ressaltar que: 1º) muitas obras não foram citadas, principalmente calçamentos, galerias e casas populares; 2º)algumas administrações optaram por dar uma ênfase maior a outros setores como, por exemplo, assistência social, educação, etc; 3º)as obras não dependem apenas da administração municipal, o apoio do governo estadual faz diferença, assim, fez mais quem tinha o governo do seu lado; 4º) e, é claro, devem ter havido aqueles que foram incompetentes ou favoreceram demais a si e aos seus aliados.
CEM ANOS INESQUECÍVEIS
Nossa terra sempre foi religiosa e o catolicismo sempre foi predominante desde a capela edificada no mesmo local onde hoje é a matriz da nossa padroeira Nsa. Sra. do Rosário à chegada da imagem da mesma vinda de Portugal em 1872, que deu origem a nossa mais tradicional festa, a Festa de Santos Reis, que, no começo, chegou a durar nove noites. Caiçara não esquece seus padres: Aprígio, Antonio Trigueiro, Epitácio, Celestino, Pedro, Marcos, Mauro e o atual Padre Germano. Não esquece das tradições da Semana Santa, dos terços rezados no mês de maio, das lapinhas, das irmãs que, lideradas por Irmã Cristiane, iniciaram em 1982 a Festa da Colheita e organizaram a comunidade. A igreja chega ao centenário com várias comunidades e grupos organizados como o Terço dos Homens e a Renovação Carismática. Todas as outras religiões também foram bem-vindas como os protestantes, Kardecistas e adeptos do Candomblé. Daqui também brotaram grandes religiosos como os padres Francisco Lima, João Batista e um dos nossos filhos mais ilustres, o nosso bispo Dom Epaminondas.
Foram também cem anos de festas, além das já citadas tivemos os inesquecíveis carnavais com blocos de rua e também festas de salão. Criamos e mantivemos a tradição da Festa da Pedra (15 de agosto), as festas juninas, que hoje têm seu auge com a comemoração do São Pedro. Não esqueceremos as festas dos clubes como o “Clube 7 de Novembro” e o “Lítero Clube Recreativo Caiçarense”, que marcou gerações com a danceteria “Babysom”; Festas de Debutantes, Festa das Personalidades e muitas outras.
De festas para cultura é um passo, e de cultura a gente entende. Caiçara é um verdadeiro celeiro musical. Desde sua emancipação Caiçara já contava com músicos que formaram, em 1910, a banda “7 de Novembro” que realizava inesquecíveis apresentações no nosso saudoso coreto. Dessa geração vimos surgir nosso músico maior, o maestro Joaquim Pereira, que regeu a Banda da Academia Militar das Agulhas Negras, foi um dos fundadores da Orquestra Sinfônica da Paraíba, compôs os arranjos do Hino da Paraíba e tem dobrados até hoje executados por bandas de vários países. A tradição das bandas nunca acabou, seja com as bandas marciais das escolas, até as atuais “7 de Novembro” e “Joaquim Pereira”. Mas não foi só banda que tocou por aqui não! Tivemos os queridos violeiros que tocavam suas serenatas, até a geração atual, que teve a frente o cantor Zé Carlos e nomes como Marinézio Marques, Fátima Marques(uma das maiores seresteiras do Brasil), cantores evangélicos, além de várias bandas de forró e de outros estilos.
É claro que nossa cultura não se restringe a música. O teatro sempre esteve presente, seja nas apresentações realizadas no auditório do antigo Grupo João Soares, nos chamados “quadros vivos”, seja com o Grupo Liberdade ou com o atual Grupo Senhora e Rainha. Teve caiçarense que até se destacou na dramaturgia nacional, foi o “Global” Manoel Rafael de Carvalho. O cinema também marcou gerações desde o antigo “Cinema Rio Branco” até o popular “Cinema de Zé de Biu”. Na dança nos fizemos história e mantemos atualmente dois grupos: o “Artdance” e o “Revelação”, além é claro do nosso Grupo Cultural e Quadrilha Nação Nordestina que tem orgulhado Caiçara ao se destacar em concursos estaduais, como também em outros estados. Enfim, temos história no artesanato com o “Centro de Economia Doméstica”, na pintura com nomes como Hermano José e Domingos Sávio. Nosso folclore é recheado de lendas e manifestações que encantaram gerações. Em 1999, em reconhecimento a nossa cultura, o Dr. Waldemir Miranda nos presenteou com um Centro Cultural.
Esporte também é cultura, e não podemos deixar de lado nosso passado esportivo. No futebol tivemos o Esporte Clube “23 de Maio”, o “Caiçara Esporte Clube”, o “Esporte Clube 7 de Novembro” até chegarmos ao nosso “Municipal Esporte Clube” que teve suas grandes conquistas como a Copa Integração do Brejo, que era a principal competição do futebol amador da região, por duas vezes campeão(1983 e 1990). Craques foram muitos que homenagearemos através do inesquecível Privídia, do incentivador Luciano Cunha e de Emilton Ribeiro, uma vida dedicada ao esporte que também contribuiu para futuras conquistas com sua escolinha de futebol. E teve até craque caiçarense que se destacou no exterior como é o caso do nosso “Esquerdinha”. Futebol antes praticado nos campinhos em frente ao mercado, depois veio o estádio Francisco Carneiro, a Quadra de Esportes Everaldo Costa até o atual Ginásio de Esportes “O Luizão”.
Não podemos, no entanto sermos injustos com as outras práticas esportivas, além do futebol, Caiçara teve seus tempos de muita prática de voleibol nos anos 50 e 60, sempre na Praça do Rosário, ao lado da igreja. Claro que o vôlei não morreu, a juventude continua a praticá-lo, porém uma novidade no esporte caiçarense, depois do ginásio, é a prática do basquete, tendo a frente nosso amigo Ricardo. Como diz nosso cantor Marinézio Marques, “Caiçara tem, de tudo um pouco tem”.
Mas se não fosse a educação a cultura seria limitada. Não esqueçamos então as escolas do passado como o antigo Grupo João Soares, cujos grandes mestres homenagearemos através da pequena e notável diretora Holandina Leal, o nosso Ginásio Comercial, que começou sob a direção do Padre Luiz Gonzaga e teve seu prédio conseguido com empenho do nosso mais marcante juiz, o Dr. Wilson Pessoa da Cunha, enfim, muito devemos aos mestres e alunos que passaram por estas escolas e que muito orgulharam os caiçarenses. Tivemos grandes incentivadores e secretários, que podemos homenagear através da memorável secretária Maria Auxiliadora de Almeida Vieira. Não desprezemos também as escolas atuais, sejam públicas, sejam privadas, que seguem construindo o futuro da nossa terra. Também tivemos novidades nos últimos anos da nossa educação com o Grupo Atitude, com voluntários desenvolvendo projetos educacionais. O acesso à educação evoluiu muito nesses cem anos, Caiçara saiu do “bê-a-bá” quando era oferecido apenas o ensino primário para a universidade que hoje pode até ser cursada no próprio município, através de curso de extensão, porém a qualidade é o nosso desafio atual.
A modernidade foi chegando de trem por aqui. Quatro anos antes da emancipação, uma estação foi instalada em Logradouro e tudo passou a girar em torno do trem. São inesquecíveis as viagens no chamado “Bacurau”, que passava às 4 da manhã para a capital e voltava às 7 da noite, bem como o “PN” que passava algumas vezes por semana. Os trens de passageiros pararam nos anos 70 e em 1999 a linha foi desativada de vez. Vieram os “Mistos”(meio ônibus, meio caminhão) e as chamadas “Sopas”, espécies de ônibus adaptados que se podia entrar por várias portas. As estradas de barro eram terríveis(algumas ainda são). O caminho para Belém era por Serrinha. Os trajetos mudaram, foram passando as máquinas, até que em 1993 saiu a pista Logradouro-Belém, multiplicaram-se os taxistas. Porém o progresso espera ansioso o trecho Logradouro-Nova Cruz.
Também não dá para caminhar para a modernidade sem energia elétrica e água encanada. A Caiçara de 1908 tinha suas ruas iluminadas por tochas à noite. Pouco depois as tochas foram substituídas por lampiões e, em 1928, veio o 1º motor de energia, que funcionava apenas das 6 às 10 da noite e dava 3 sinais antes de apagar de vez. Em 1948, o motor que ficava na Rua da Aurora foi substituído por um mais moderno que funcionava onde hoje é o nosso hospital. Até que em 1965 veio a energia elétrica de Paulo Afonso através da CODEBRO. Com a eletricidade vieram as novidades como a televisão(a 1ª chegou no começo dos anos 60). Vieram as comunicações, desde os antigos radiodifusoras até a atual rádio comunitária FM Cidade Marquesa.
Ao falar de água temos a obrigação de homenagear o nosso velho Rio Curimataú, afinal Caiçara só está onde está por causa dele. Foi o rio quem supriu as necessidades dos nossos antigos moradores e até dos recentes em tempos de seca. Houveram também grandes cheias como as de 1924, 1964, 1984 e 2004(haja quatro!). Porém ficarão gravados para sempre na memória os banhos que foram o lazer predileto de várias gerações, os saltos-soltos na Cajarana, uma nostalgia muito bem registrada na canção “Águas do Curimataú”, de Zé Carlos.
A lagoa, no entanto, sempre foi nosso principal reservatório, escavada na rocha pelo nosso fundador Manoel Soares, foi ampliada várias vezes, no final dos anos 50 que houve até um controle da distribuição da água através de fichas. A lagoa hoje mudou, virou o “Parque da Lagoa”, que precisa ser revitalizado. Porém quando a seca apertava mesmo, o jeito eram as cacimbas no rio e os carregadores que traziam água em lombos de burros. Para amenizar, houve o tempo do “Chafariz”, um grande tanque construído na base do lajedo, que era abastecido por carros-pipa. Até que em meados dos anos 60 chegou a esperada água encanada.
Sempre tivemos atenção com a saúde do nosso povo. Tivemos e ainda temos nossa medicina popular com as rezadeiras, curandeiras e parteiras, que homenagearemos através da nossa Maria Santana e sua saudosa mãe, a parteira “Tonha Preta”. A nossa 1ª primeira-dama, Enedina Soares, vacinou a população contra a varíola, veio o homeopata Coronel Francisco Caitéte, lembremos alguns nomes como os doutores Antonio Cavalcanti, Múcio, Ramos, Álvaro, Galvão; dentistas como Clóvis Marques, Tarcísio, Renato e Íris; farmacêuticos: Zé Ismael, Zé Ribeiro e Luíza Soares. Veio o primeiro posto médico, onde hoje é a prefeitura, depois mudado para o outro lado e ampliado até se tornar o atual Hospital e Maternidade Nossa Senhora do Rosário. Tivemos também o Posto de Puericultura Santana que depois se popularizou como “SESP” e hoje é posto do PSF. Daqui também saíram nomes que se destacaram na área da saúde, nomes como o Dr. Waldemir Miranda, filho do nosso 1º prefeito, grande dermatologista, um dos fundadores da faculdade particular de medicina do Recife, escritor, por mais de 10 anos presidente da Academia Pernambucana de Letras e grande benfeitor caiçarense; Dr. Valderedo Ismael de Oliveira, psiquiatra de renome internacional; Dr. Carlos Queiroz, um grande médico caiçarense, atualmente, após ter feito curso na China, tem se destacado na prática da medicina oriental.
Na história política, foram 34 mandatos exercidos por 28 prefeitos, de “Tota Miranda” a Hugo Alves. No começo eles eram nomeados, não tínhamos vereadores e sim Conselheiros. Tudo funcionava no antigo “Prédio do Conselho”. Só em 1935 pudemos votar e elegemos o saudoso “Costinha”. Esse privilégio durou pouco com o golpe do Estado Novo, de Getúlio Vargas, as nomeações voltaram e só voltamos a ter eleições em 1947, quando elegemos Francisco Carneiro(“Chicó Marinheiro”), até 1963 votávamos em separado para vice-prefeito e foi na eleição desse ano que elegemos a 1ª mulher para a Câmara de Vereadores, nossa querida Maria Soares. Teve o tempo das sub-legendas, quando chegamos a ter duas e até três candidaturas de um mesmo partido. É! Muita coisa rolou até chegarmos a urna eletrônica.
O poder mudou muito de mãos nesses cem anos de história, porém esteve quase sempre entre poucas famílias. Tivemos os grupos liderados pelo Coronel Tota Miranda, que passou a ser adversário do Major Carlos Espínola e, em seguida do Coronel Nô Lima. Depois da Revolução de 30, Severino Ismael de Oliveira, apoiado pelos filhos de Tota Miranda, por Corálio Soares, Rosendo Soares e os “Costas” dentre outros, assume a liderança política do município e desponta como principal rival de Nô Lima. No começo dos anos 40, com mudanças no poder estadual o bloco de Nô Lima, agora encabeçado por seus filhos e por José Paulino de Carvalho, dentre outros, volta ao poder, tendo o Dr. Haroldo Espínola como prefeito. Com a redemocratização, velhos rivais se unem apoiando o governo de José Américo, os “Mirandas”, os “Limas” e agora também os “Alves” ficam do mesmo lado, tendo como adversário o grupo liderado por Severino Ismael e Francisco Carneiro, tivemos nesse período como prefeitos o próprio Severino Ismael, Francisco Carneiro, Alberto Costa e Severino Costa. Até 1959, o poder esteve nas mãos dos “Ismaelenses”, foi o auge do poder de Severino Ismael, eleito deputado pela 1ª vez em 1947 e reeleito por mais 4 vezes, era o grande líder da região, chegando a ser também presidente da LBA na Paraíba e delegado do IAPETEC. Aliás, de 1962 a 1967, Caiçara contou com dois deputados estaduais: Severino Ismael e Amélio Leite. Na eleição ocorrida em 59, a mais acirrada da nossa história, o poder passou para os “Alves” com a vitória de Antonio Alves de Carvalho e continuou com José Cruz Neto e Luiz Alves. Nos anos 70, a disputa se polariza entre os “Alves”(MDB) contra os “Neves” e “Carneiros”(ARENA). Em 1972, é a vez dos Neves chegarem à prefeitura com José Antonio Neves(“Deca”) . Em 1977, os Alves voltam com Antonio Alves Sobrinho. Na eleição de 1982 se consagra o nome de Pedro Alves de Menezes, sem pertencer as famílias rivais, porém apoiado pelos “Carneiros” e pelos “Neves”. À Pedro Alves se seguiram George Neves e o próprio Pedro voltou. O grupo deteve o poder até 1996, quando os “Alves” retomaram a liderança com Luiz Alves, que foi reeleito e Hugo Alves, nosso atual prefeito, já reeleito para ser o 1º prefeito do nosso 2º centenário.
Caiçara conheceu períodos de fartura com sua agricultura se destacando em nível de estado nas produções de algodão, aguardente, “fumo de rolo”, farinha, feijão, batata-doce e, depois, o sisal. Para apoiar os agricultores, foi instalado aqui Posto do Fomento Agrícola Federal e, posteriormente a ANCAR(atual EMATER). Lembremos de um grande inovador de práticas agrícolas e organizador dos proprietários rurais, que foi Djalma Araújo. Baseado nessas culturas, principalmente no algodão, nosso comércio proliferou muito, principalmente de 1910 a 1935, antes da instalação da usina em Logradouro, pois os comerciantes eram também compradores do algodão e o dinheiro ficava na cidade. Nesse período chegamos a ter mais de 30 casas de comércio aqui na vila e 70 em todo o município. Tínhamos uma grande feira realizada na frente da igreja que ia até o muro do cemitério(atual João Alves). As casas de comércio se concentravam também nesse trecho.
Com o algodão também veio a indústria através da multinacional Anderson Clayton & Cia, que se instalou em Logradouro em 1935, a “Americana”, como era chamada favoreceu a produção ao garantir a compra de toda a safra de algodão aos agricultores, porém os frutos do “ouro branco” não ficavam mais em Caiçara. Em 1950 instalou-se em Caiçara a indústria “Carneiro & Cia” que também beneficiava algodão.
A fartura, porém não perdurou, o algodão passou a cair de preço devido à concorrência com outros mercados e veio o tempo do sisal(agave) e, nos anos 50, Caiçara volta a experimentar os tempos de prosperidade produzindo quase 4 milhões de quilos de agave, a maior produção da Paraíba, a Usina Carneiro passou a beneficiar o produto e chegou a empregar quase 600 pessoas, muitos proprietários tinham motores manuais, não havia desemprego por aqui. Porém, como alegria de pobre dura pouco, o sisal entrou em decadência com a utilização da fibra sintética(náilon) e o algodão que era a 2ª fonte de renda passou a sofrer com a praga do bicudo.
Por fim, a partir dos anos 60, Caiçara passou a sofrer com a partida de seus filhos buscando meios de vida nos grandes centros do país e a zona rural também foi ficando cada vez menos povoada. Realmente, o momento atual não é muito animador. A agricultura não traz prosperidade, não surgiram outras fontes de renda e a população depende, principalmente, da prefeitura, de aposentadorias e do comércio. Almejamos a vinda do asfalto, almejamos a instalação de alguma indústria, e outros sonhos pelos quais devemos lutar. Cabe ao caiçarense cobrar das autoridades e também fazer a sua parte para que tenhamos um 2º centenário repleto de realizações. O futuro a nós pertence.
Elaborado pelo Prof. Jocelino (24/10/2008) – Revisado pela profª Gigliani.
Se você deseja salvar este texto você pode baixar o arquivo .doc que abre com o Microsoft Office Word:
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Prof. Jocelino, um abraço e parabéns pelas informações contidas, como fonte de conhecimento cultural para os caiçarenses.
É muito importante para o pvo de Caiçara saber e conhecer sua história, a verdadeira história de sua cidade natal.
Eu completamente interessado em conhecer mais sobre minha “terra de almocreves”, espero o mesmo aos meus conterrâneos.
Atenciosamente,
Williams (Maninho).
RJ, 27OUT2008.
Muito bom o material.
O Rafael de Carvalho citado é meu parente.
Este comentario é, a principio, criar um canal de comunicação.
Prof. Jocelino, parabéns pelo texto. Caiçarenses como você me enchem de orgulho!!! Parabéns pelo grupo Atitude.
Estive em Caiçara esta semana e ouví por completo o seu programa “Caiçara, passado e presente” (creio ser este nome). Fui invadida por um misto de sentimentos: muita saudade das pessoas citadas, entre elas minha mãe, meu pai, minha avó, todos no andar de cima; muita alegria de ver um jovem dedicado a não deixar a nossa história perecer; satisfação e plenitude pela certeza que revolução se faz através da educação (claro, sou educadora!). Tenho tanto orgulho de você, mesmo sem ter o prazer de conhecê-lo! Que maravilha alguém que se dedica a ensinar história, não por que será cobrada “em concursos ou vestibulares” como você muito bem colocou – adorei este parágrafo do seu texto!
Como impulso e apoio ao seu trabalho, quero dizer que nunca o deixe, ele orgulha a muitos caiçarenses, tenho certeza. Quero também me colocar a sua disposição. Gostaria muito de ser voluntária. Como poderia ajudar?
Bom dia, realmente me alegra um artigo bem escrito sobre Caiçara, principalmente divulgado na internet, servindo como fonte de consulta para uma gama de Caiçarenses espalhadas pelo Brasil e pela Paraíba. Agora como sugestão fica registrada a sentida ausência de referência a pessoas que trabalharam muito pela cidade e sempre elevaram o nome de Caiçara, como Dr. Carlos Roberto de Queiroz, Médico por mais de 10 anos na cidade, fundador do Partido dos Trabalhadores em Caiçara, além de destacado atleta do MInicipal nos anos 60 e 70, José Lopes da Costa e João Queiroz,comerciantes em Caiçara, Zélia, Sales, e Rejane Lopes todos médicos oriundos da terra querida, além é claro da atual Procuradora Geral de Justiça do Estado da Paraíba, Drª Janete Ismael. A memória Caiçarense agradecerá as referências.
Ilmo. Prof. Jocelino, forte abraço.
Volto ao comentário sobre o texto do centenário de nossa maravilhosa CAIÇARA, dando ênfase ao comentário do nobre Jr. Queiróz, concordando com sua solicitação, realmente todos citados por ele merece destaque, bem tantos outros ilustres caiçarenses que tanto contribuíram para o progresso e desenvolvimento de nossa cidade, conheço todos os citados e merececem ser homegeados e lembrados quando fizerem comentarios das pessonalidades caiçarenses. Mas outros tantos foram protagonizadores do sucesso que nossa cidade é hoje e aos poucos serão lembrados por voces, tenho certeza disso.
Respeitosamente,
Williams (Maninho)
RJ, 14MAI2009.
Só há pouco tempo instalei internet em minha residência e ainda dedico pouco tempo a utilizá-la. Assim, até hoje, só havia tomado conhecimento do 1º comentário sobre o texto. Agora, gostaria de responder não só ao dele como aos demais, : 1) Agradeço ao Maninho pela sua constante participação neste site e sua demonstração de interesse por nossa terra; 2) Tenho muito interesse em estanelecer contato com o parente do nosso grande dramaturgo Rafael deCarvalho(meu telefone é 3370-1091); 3) Acho que eu e a Socorro temos muito em comum e será muito bem vinda a sua contribuição ao Grupo Atitude, procurarei entrar em contato, agradeço pelos elogios a minha pessoa e, por fim, sou fã do trabalho do seu pai; 4) Meu amigo Júnior tem razão de estar indignado com as ausências que citou e outros que tenham um pouco de conhecimento da nossa história e dos filhos ilustres de Caiçara perceberão outras lacunas e ausência, é o mal dos resumos, principalmente aqueles feitos às pressas. Por fim, só tenho a agradecer por terem apreciado o texto. Saliente-se que foi um texto, como já disse, elaborado às pressas para que “um pouco da nossa história” fosse divulgado na semana do nosso centenário. Tínhamos muitas informações para organizarmos na época, porém tive que resumir para ser mais viável a reprodução(cerca de 130 cópias chegaram a ser distribuidas na cidade). A pesquisa continua e os elogios e as críticas só vem a engrandecer as próximas produções. VALEU!!!
Parabens, professor Jocelino. Tenho a honra de conhecê-lo somente agora pela internet pois me encontro ausente de Caiçara ha 53 anos, isso mesmo, 53 anos. Seu trabalho é muito edificante, pois muito pouco sabia de Caiçara após o ano de 1956. É bom conhecer como a nossa querida Caiçara prosperou, embora, como muitas cidades, atravesse um momento de dificuldade; mas dias melhores virão, com certeza. Como oficial da força aérea reformado, como advogado e professor (inclusive da disciplina de história), muito me comoveu ler tudo que o senhor escreveu. Bem verdade, trata-se de um resumo, como diz, pois impossível seria em tão pequeno espaço escrever toda história de nossa cidade. Muitos tópicos certamente ficaram à margem, e quem sabe possa o senhor em breve escrever em forma de monografia para gáudio de seus enlevados leitores. Estou aqui no Rio de Janeiro, e se de alguma forma puder lhe ser útil, para qualquer assunto, conte comigo. Sou um jovem de 72 anos ainda disposto a aprender muitas coisas e certamente voltarei para visitar a Caiçara de hoje, da mesma forma que fico a sua disposição quando visitar o Rio de Janeiro. Para qualquer eventualidade meu telfone é (21)2507-5544. Atenciosamente, Florencio!
O Manoel Rafael de Carvalho sitado no texto é meu tio irmão de minha mãe Terezinha Carvalho de Paiva.
É muito bom falar de Caiçara! Quem sabe alguém ou alguma instituição pública ou privada pudesse programar anualmente um encontro dos caiçarenses residentes fora da cidade. Sei, alguém pode dizer, já existe a Festa de Reis, onde muitos comparecem para rever a cidade querida. Mas, estou falando de um encontro voltado exclusivamente para trazer pessoas que estão há muitos anos ausentes de Caiçara. Certamente poderiamos confraternizar e os mais novos conhecerem os mais idosos e vice-versa… Em alguns casos novas geraçõs se criaram fora de Caiçara mas sempre ouviram falar da cidade de seus pais. Eu mesmo levei meus filhos que hoje est~/ao com 38 e 46 anos para conhecer Caiçara, e certamente em breve levarei minhas netas também para tomar banho nas cacimbas, mesmo quando cesse a correnteza do Curimataú! Fica a idéia! Alguém quer levar à frente?
Professor Jocelino, gostei muito das infomações dadas pelo sr. Sou formando do curso de História da UEPB, em minha Monografia estou tratando do auge e declinio do Sisal no Municipio de Riachão, e em entrevistas realizadas descobri que toda produção era comprada pela usina de Logradouro. Então gostaria de saber se o sr. não teria algum material sobre a usina e sobre o Sr. Amélio Leite. De ate mão meus agradecimentos.
Robson, tenho realmente informações que podem lhe interessar. Mantenha contato pelo meu e-mail: profjocelino@caicarapb.com
Ilmo. Profº Jocelino, alguns anos atrás fui agraciado com a leitura do livro Caiçara terra de almocreves, dentre muitas pessonalidades incluídas na garnde obra de um ilustre caiçarense, relatando sobre nossos administradores do executivo municipal, só que os nossos recentes prefeitos não estão relacionados, pois o livro foi editado antes de suas administração.
Solicito a vossa senhoria a possibilidade de incluí-los neste Link, que conta sobre o centenário de Caiçara, ficaria grato, e, creio que muitos dos nossos conterrâneos, espalhados por esse imensso Brasil, agradeceriam, pois muitos que deixaram a cidade á anos ainda não os conhecem, nem sabem das suas obras administrativas, cito aqui o nosso grande amigo Hugo e o Sr. Pedro Alves, grandes personalidades caiçarenses.
Respeitosamente,
Williams (Maninho)
RJ, 11OUT2009.
Solicito fazer correção do nome do livro. Onde se lê: Terra de Almocreves, lê-se: Caminhos de Almocreves.
Atenciosamente,
Williams (Maninho)
RJ, 11OUT2009.
Fico feliz em ver minha amada cidade na internet.Nasci em Caiçara ali na praça da feira.
Conheci a casa apesar de modificada fiquei muito emocionada fui batizada pelo padre Epitacio,e mamae tambem foi casada pelo mesmo padre.Minha família é uma das mais antigas dai,vi nesta mesma página um comentario do meu primo Carlos Queiroz.Concordo com o Florencio de reunir todos da cidade que moram fora.Estive ai a ultima vez 1980 com meu primo Jurandir e Zelia.Fui com ele conhecer os parentes que não conhecia,quando meu pai saiu dai eu tinha 6 meses,voltei quando tinha 6 anos para visitar meus padrinhos Jose Anisio e Anesia.Meu pai com 88 anos com alzheimer nao esquece e conta muitas historias de quando era criança.Neste texto você sita meu tio Manol Rafael de Carvalho irmão de meu pai conhecido como Zé Roberto,sendo o nome dele Jose Rafael de Carvalho.
Apesar de ter comentario do meu primo Ricardo Jose e do mu irmão Jose Rafael,achei este site por acaso.
Professor Jocelino meu grande abraço
Caro Prof Jocelino!
Sem duvida o trabalho por você realizado é de valor inestimável, e certamente em tão pequeno espaço não poderia escrever toda a história de Caiçara. Há lacunas, justificáveis, como você já explicou. Quem sabe, e aqui fica a sugestão, para colocar em livro a história de Caiçara. Desde já me coloco a sua disposição para colaborar até financeiramente. Sou tio do “Maninho” e estou ausente de Caiçara há mais de 50 anos. Encantou-me profundamente saber que nesses anos minha terra progrediu tanto. Desculpe-me o tratamento intimista, mas como advogado e professor me sinto ligado a pessoas como você.
Na verdade há vultos ilustres de Caiçara, como o maestro e compositor Joaquim Pereira (Quinca Pereira para os mais íntimos)que merecem um capítulo a parte. Aliás so recentemente fiquei sabendo que seu nome foi dado ao trecho da rodovia que liga Belém a Logradouro, passando por Caiçara.
Por outro lado, lendo alguma coisa a respeito do maestro, encontrei a informação de que, após deixar o serviço ativo do Exército, voltara definitivamente a Caiçara em 1954. Certamente esse foi o ano em que ele passou para a Reserva do Exército, contudo algo precisa ser esclarecido e você, quem sabe, estando mais próximo, poderia pesquisar. Em 1950 eu cursava o 5º e último ano do Curso Primário (atual fundamental) no Grupo Escolar “João Soares” e tinha como colega de classe uma menina de nome Rosilda, filha do maestro, e que tinha uma irmã e um irmão mais velhos. Lembro que moravam numa casa próxima ao Riacho da Picada no caminho de Logradouro e o velho Quincas as vezes era visto em trajes caseiros quando eu passava por lá.
Não sei se esses acidentes geográficos mencionados fazem algum sentido hoje porque tenho conhecimento que o acesso a Logradouro nos dias atuais se faz por outro caminho! De qualquer forma gostaria de saber se existem descendentes do maestro que ewstão vivos e ligados a nossa cidade. Estou a sua disposição se lhe puder ser útil em alguma coisa. Meu e-mail é manoelflorencio@ig.com.br.
Um forte qabraço que, peço, estenda a todos os caiçarenses.
PS. Profa. Hollandina Leal, ela fazia questão que se escrevesse seu nome com dois “LL”. Fui seu aluno e ela me tratava, carinhosamente, por “Manoelzinho”.
Léia! Você, como eu, encontrou este site por acaso. Foi um achado precioso que nos aproxima de nossa querida Caiçara. Você agora mencionou dois nomes que me levaram de volta à infância. Lembro que eu tinha 10 ou 12 anos, lá pelos idos de 1948/49 e jogava futebol com bola de meia naquele campo depois do mercado (da feira), onde hoje parece é o Estádio Francisco Carneiro. Naquele tempo era apenas um descampado, mas ja tinha a casa do seu Anisio e Dona Anésia. Quando estávamos cansados de jogar bola, íamos pedir água para beber, exatamente a Dona Anésia. Não me lembro direito, se ela era professora ou funcionária da escola.
Fico feliz de nos encontrarmos aqui!
Atenciosamente.
Estou orgulhosa de viver em uma cidade repleta de realizações que não foi esquecida nem mesmo por estudantes que hoje se destacam no meio vamos que dizer que artistico, um texto muito bem elaborado por você jucelino que está de parabéns!!! E que não termina por aí concerteza Caiçara irá ter muitas e muitas realizações, comemorações e etc.
Louisy Rodrigues de Carvalho
Jucelino ,conheço todo seu esforço e dedicação por esta terra tão querida e tão amada “Caiçara” e sei que todo esse seu esforço não é em vão. Ele tem valor inigualável aos que por esta terra dedicam o tempo a ensinar e amá-la. E você é uma dessas pessoas que de maneira paciente pesquisa, cria e recria , corre busca e repassar aos outros seus conhecimentos fazendo-nos compartilhar do tesouro do saber.. Parabéns Jucelino.
São pessoas como você, Louisy, que não nos deixa esquecer de Caiçara!
Um bom final de ano junto a toda sua família!
A seu dispor aqui no Rio!
Florencio – Rio de Janeiro, 13.12.2009
Não, Mariah! Nem você nem a Louisy me conhecem… rsrsrs! afinal me ausentei de Caiçara há mais de 50 anos, exatamente em fevereiro de 1955, logo depois do Carnaval, aliás penso que aquele foi o Carnaval de minha vida.Tudo de bom para você e sua família nesse final de 2009 e nos anos futuros. No Rio, a seu dispor.
Florencio!
Rio de Janeiro, 13.12.2009
Caro Jocelino!
Leio e releio seus post e retorno à Caiçara da minha infância e adolescência. Embora não o conheça pessoalmente, é como se o conhecesse e de repente, não mais que de repente, como diz o poeta, parece que se formou uma comunidade em torno de sua pessoa. Parece? Não! Realmente percebo que existe uma comunidade em busca de usufruir dessa intimidade, se abeberando nesse poço de conhecimentos que é o nosso professor!
Um final de ano muito feliz é o que te desejo junto a toda família e muita prosperidade nos anos futuros!
No Rio à tua disposição!
Florencio!
Rio de Janeiro, 13.12.2009
Caro professor Jocelino!
Mesmo sem conhecê-lo pessoalmente, mas como advogado e também professor, concedi-me a liberdade de considerá-lo como amigo. Desculpe o meu excesso de confiança. Mas a vida é assim mesmo, ás vezes nos concede dessas surpresas, como a de conhecê-lo.
Pois bem, ontem a noite, mexendo em meus papéis encontrei um texto adaptado, referente a um discurso de Martin Luther King Jr., pronunciado em 28.08.1963, no Mississipe, mas que me parece muito atual e resolvi transcrevê-lo para nossa reflexão. É o seguinte:
“Eu digo a vocês hoje, meus amigos, que embora nós enfrentemos as dificuldades de hoje e amanhã, eu ainda tenho um sonho.
Eu tenho um sonho que um dia os filhos dos descendentes de escravos e os filhos dos descentes dos donos de escravos poderão se sentar juntos à mesa da fraternidade.
Eu tenho um sonho que um dia dia todo vale será exaltado, e todas as colinas e montanhas virão abaixo, os lugares ásperos serão aplainados e os lugares tortuosos serão endireitados e a glória do Senhor será revelada e toda a carne estará junta.
Eu tenho um sonho que minhas quatro pequenas crianças vão um dia viver em uma nação onde elas não serão julgadas pela cor da pele, mas pelo conteúdo de seu caráter. Eu tenho um sonho hoje!
Esta é a nossa esperança. Com esta fé nós poderemos cortar da montanha do desespero uma pedra de esperança. Com esta fé nós poderemos transformar as graves discórdias de nossa nação em uma bela sinfonia de fraternidade. Com esta fé nós poderemos trabalhar juntos, orar juntos, lutar juntos, para ir buscar juntos, defender a liberdade juntos, e quem sabe, um dia seremos verdadeiramente livres. Este será o dia quando todas as crianças de Deus poderão cantar a vida com um novo significado.
E quando isto acontecer, quando permitirmos o sino da liberdade soar, quando deixarmos ele soar em toda moradia, em cada vilarejo, em toda cidade, em todo estado, então poderemos apressar a chegada daquele dia quando todas as crianças de Deus, homens pretos e brancos, judeus e gentios, evangélicos, católicos e todas as religiões, poderão unir as mãos e cantar nas palavras daquele antigo espiritual negro:
“Livre, afinal! Livre afinal
Agradeço ao Deus todo-poderoso!
Nós somos livres, afinal!”
Florêncio – Rio de Janeiro, 15.12.2009
Meu caro Prof. Jocelino!
Nesta data especial, quando acompanho pela internet a Festa de Reis em Caiçara, lhe trago o meu abraço e desejos de muito sucesso no ano de 2010!
Atenciosamente!
Florêncio – Rio de Janeiro, 05.01.2010
Prezado Rafael, seu parente é simplesmente o maior artista que nossa Caiçara já teve e tenho interesse de obter mais informações e fotos dele para nosso livro e futuro museu. Consegui alguma coisa na internet, mas não tive ainda contato com ninguém da família. Seu contato é muito importante para o resgate da história do nosso ilustre Rafael de Carvalho.
Prezado Carlos, comentários como o seu só vem a engrandecer nossa pesquisa para o livro e futuro museu da nossa cidade. Suas reinvindicações são muito justas. Gostaria de salientar que o artigo foi escrito apressadamente para que pudesse ser divulgado nos dias que antecederam nosso centenário e tive que ser muito suncito pois teria que xerocopiá-lo para professores e interessados. Foi uma luta colocar tanta história em 6 páginas. No livro, será um capítulo para cada tema, serão 15 ou 16 capítulos. Pode ficar tranquilo que os nomes citados já constam nos capítulos dos cem anos de saúde, de econômia e de justiça. Mantenha contato.
Prezado Ricardo, tenho interesse em manter contato com parentes de Rafael de Carvalho, nosso maior artista. Aguardo resposta.
Léia, tenho interesse em manter contato e resgatar mais da biografia de Rafael de Carvalho, nosso maior artista. Favor manter contato.
Prezada Mariah, obrigado pelos elogios, não sei se mereço tanto, mas comentários como este nos dão ainda mais ânimo para continuarmos nossos projetos.
Caro Prof. Jocelino,
tenho algum material sobre meu tio Rafael de Carvalho, fotos, livros, disco.
ricardo – Brasília
Prezado Ricardo, tenho muito interesse na vida e na obra do seu tio, ele é nosso maior artista. Neste mês abrimos a sessão “Caiçarense do Mês” aqui no site e também com exposição na agência do Banco do Brasil, local muito frequentado da nossa cidade. Em breve quero homenagear seu tio. Por favor, mantenha contato através do meu e-mail: profjocelino@caicarapb.com.
que brega :evil: :mrgreen:

nossa pensei que fosse :twisted: legau :x :oops:
gente e brincadeira e super legal
gente naõ fique com raiva elle e super legal
Parabens pelo conteudo da reportagem, fiquei maravilhado, em saber que a terra de minha mae, não era uma terra esquecida. estou muito orgulhoso de como voces conseguiram de uma maneira simples contar um pouco da historia de Caiçara.
Não sei quase nada de caiçara, mas lembro-me da minha avó(Francisca Fernandes de Oliveira), viuva de Antonio Fernandes de Oliveira.(vo tota,era barbeiro e trabalhava na agencia dos correios). Minha vó era alta usava um vestido preto, tinha uma verruga proximo ao nariz, aquilo me marcou muito. Mas não esqueci o que ela contava, Falava da melhor parteira da região que era tia Filipa, a mesma para fazer um parto, montava em lombo de burro e ia para qualquer lugar. Existia um mito em torno dela, não sei da veracidade, mas falavam que ela era diplomada em Portugal. Outra Historia que minha mae contava(Maria de Lourdes Fernandes) era que os seus avos criavam muitos gados, tinha uma grande fazenda,e tinha varios escravos. Só que um destes escravos se apaixonou pela filha deste fazendeiro. o mesmo como gostava muito desta filha. teve de aceitar esta união. Mas mandou a filha embora com o seu marido. Dando aos dois um sitio chamado de Pe de serra.
Isto é o pouco que sei de Caiçara.
obs. não me esqueço das festas de reis e da festa do pão de açucar
Abraços Pedro
JP-09-05-2011.
Meu caro Pedro!

Não sei de onde vc esta acessando a página. Você se refere à Caiçara como “a terra de minha mãe”, o que deixa a impressão de que você não nasceu em Caiçara. Será isso? Pois bem existe um local no município de Logradouro (que já pertenceu a Caiçara) chamado Pé de Serra. Não sei se é o mesmo local onde seus antepassados criavam gado. Você tem ainda algum parente em Caiçara? Estou certo de que meu amigo Jocelino teria enorme prazer em ouvir seu depoimento! Em janeiro de 2012 estarei por lá. Quem sabe você também estará!?
Um abraço!
Rio de Janeiro – Bairro da Lapa!